Timothy James McVeigh, 33 anos, o ex-soldado condecorado da Guerra do Golfo responsável pelo maior ato de terrorismo da história dos Estados Unidos, pediu às autoridades que não divulguem o que comeu em sua úlitma refeição antes de sua execução por injeção, marcada para hoje, às 11 horas, na prisão federal de Terre Haute, Indiana, às 9 horas (horário de Brasília).
Ele também não quer que seus advogados revelem o destino final de suas cinzas. Numa série de cartas publicadas, ontem, pelo jornal de sua terra natal, o Bufallo News, no Estado de Nova York, McVeigh escreveu que considerou a possibilidade de pedir que elas fossem espalhadas no monumento em memória das 168 vítimas, entre elas 19 crianças, do atentado ao caminhão-bomba que cometeu no dia 19 de abril de 1995 contra o edifício federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma City. Mas disse que mudou de idéia depois de decidir que isso seria ‘‘demasiadamente vingativo demais, cru e frio’’.
Nas cartas publicadas, ontem, McVeigh disse que o ataque foi uma ‘‘tática legítima’’ mas mostrou, pela primeira vez, uma ponta de remorso. ‘‘Lamento que as pessoas tenham tido que perder suas vidas, mas essa é a natureza do monstro’’, escreveu ele, referindo-se não a si próprio, mas a sua fantasiosa guerra solitária contra o governo.
Para os sobreviventes do atentado e parentes das vítimas, a declaração publicada veio tarde demais e não serviu de consolo. Poucos esperam que McVeigh peça perdão pelo que fez se usar o seu direito de condenado a fazer uma declaração final antes de receber os três químicos que o matarão.
Trezentos deles acompanharão a execução em Oklahoma, por um circuito fechado de televisão especialmente autorizado pelo ministério da Justiça. Dez outros, escolhidos por sorteio, presenciarão o macabro ritual em Terre Haute, em salas separadas de dez jornalistas e quatro convidados de McVeigh, que incluem seus dois advogados.
Mais de 1.500 jornalistas do mundo inteiro estão em Terre Haute. A polícia reservou espaços separados perto da prisão para as vigílias organizadas por grupos favoráveis e contrários à execução. Um clima surrealista começou a envolver o evento hoje com a instalação dos quiosques dos vendores de sanduíches e de bebidas que pretendem ganhar alguns trocados com a movimentação.
McVeigh será o primeiro condenado submetido à punição máxima do ‘‘homicídio legal’’, o nome técnico da pena de morte, pela Justiça Federal americana em 38 anos. O último, morreu enforcado. Por causa do adiamento, a execução correrá num momento inconveniente para o presidente George W. Bush: no dia em que ele parte para sua primeira viagem à Europa, onde a pena capital é considerada uma barbárie indigna de países civilizados e o presidente americano chega com a fama de recordista da modalidade: em seus seis anos como governador do Texas, Bush autorizou 152 execuções.
A execução de McVeigh não ajudou a causa da minoria que batalha pela anulação da pena de morte nos EUA. Oito em dez americanos disseram que apóiam sua aplicação neste caso, quando menos de 7 em cada dez pessoas manifestam-se a favor quando perguntadas sobre o conceito da pena capital. Mas isso não significa que o assunto não esteja em debate. A descoberta, nos últimos anos, de 82 inocentes entre as mais de 3.500 condenados à morte nas cadeias do país, graças a testes de material genético, deu força a uma campanha em favor de uma moratória nas execuções.
Segundo pesquisa da CNN, a idéia tem hoje o apoio de uma maioria de 59% da população. De acordo com a Campanha pela Abolição da Pena de Morte, a maioria dos condenados à pena capital é composta por pobres – nove em cada dez são representados por advogados datives em seus julgamentos – e por negros e latinos. Somados, representam 25% da população. Nos casos pendentes na justiça federal, a proporção alcança 80%.

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