‘‘Foram jagunços brasileiros’’. Desta forma, categórico, José Alberto ‘‘Icho’’ Planás, advogado do falecido vice-presidente Luis Maria Argaña, disse à AE que o político paraguaio havia sido executado por assassinos de aluguel brasileiros sob ordens do general Lino César Oviedo, principal inimigo político de Aragaña. ‘‘O general Lino César Oviedo, principal traficante de drogas do país, foi o mentor do atentado’’, afirmou. Segundo Planás, junto com o ex-general golpista também teria participado da organização do atentado um deputado aliado a ele, Honrado Zaldivar. Planás afirma que Zaldivar foi o mesmo que conseguiu, há mais de duas décadas, os passaportes falsos dos assassinos do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, morto em Washington em meados dos anos 70.
A contratação dos jagunços brasileiros teria sido feita através do filho de Fahd Yamil, empresário a quem Planás acusa de ser o principal narcotraficante da cidade de Pedro Juan Caballero, próximo da fronteira com o Brasil. ‘‘Eles contrataram um tal de Nara, descendente de japoneses, que por sua vez conseguiu uma dezena de jagunços do lado brasileiro da fronteira’’, disse Planás. O advogado de Argaña afirmou que já haviam sido informados sobre a preparação do assassinato há três semanas.
O advogado fez suas declarações através de seu celular à AE, enquanto caminhava pelas ruas de Assunção seguindo o cortejo fúnebre, que naquele instante ia da casa de Argaña em direção ao Congresso. Descrevendo a participação dos brasileiros no atentado, Planás afirmou que o carro dos assassinos seguia o de Argaña na manhã de terça-feira. Segundo ele, em um momento determinado, o carro que os seguia fez uma ultrapassagem, e dois dos jagunços desceram dando tiros. ‘‘O motorista perdeu o controle do veículo onde viajava Argaña no momento em que um tiro acertou sua cabeça. Nesse instante, havia quatro pessoas no carro. Duas ficaram dentro dele, com armas e granadas nas mãos. Os outros dois saíram, metralhando os ocupantes do carro de Argaña.’’
Segundo Planás, um dos jagunços brasileiros atirou cinco vezes do lado direito do carro, enquanto o outro fazia o mesmo do lado esquerdo. ‘‘E eles fizeram o trabalho tranquilamente, recarregando as armas e dando mais cinco tiros.’’

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