Jagunços acusados como responsáveis pelo crime
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Ariel Palacios Agência Estado 
Foram jagunços brasileiros. Desta forma, categórico, José Alberto Icho Planás, advogado do falecido vice-presidente Luis Maria Argaña, disse à AE que o político paraguaio havia sido executado por assassinos de aluguel brasileiros sob ordens do general Lino César Oviedo, principal inimigo político de Aragaña. O general Lino César Oviedo, principal traficante de drogas do país, foi o mentor do atentado, afirmou. Segundo Planás, junto com o ex-general golpista também teria participado da organização do atentado um deputado aliado a ele, Honrado Zaldivar. Planás afirma que Zaldivar foi o mesmo que conseguiu, há mais de duas décadas, os passaportes falsos dos assassinos do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, morto em Washington em meados dos anos 70.
A contratação dos jagunços brasileiros teria sido feita através do filho de Fahd Yamil, empresário a quem Planás acusa de ser o principal narcotraficante da cidade de Pedro Juan Caballero, próximo da fronteira com o Brasil. Eles contrataram um tal de Nara, descendente de japoneses, que por sua vez conseguiu uma dezena de jagunços do lado brasileiro da fronteira, disse Planás. O advogado de Argaña afirmou que já haviam sido informados sobre a preparação do assassinato há três semanas.
O advogado fez suas declarações através de seu celular à AE, enquanto caminhava pelas ruas de Assunção seguindo o cortejo fúnebre, que naquele instante ia da casa de Argaña em direção ao Congresso. Descrevendo a participação dos brasileiros no atentado, Planás afirmou que o carro dos assassinos seguia o de Argaña na manhã de terça-feira. Segundo ele, em um momento determinado, o carro que os seguia fez uma ultrapassagem, e dois dos jagunços desceram dando tiros. O motorista perdeu o controle do veículo onde viajava Argaña no momento em que um tiro acertou sua cabeça. Nesse instante, havia quatro pessoas no carro. Duas ficaram dentro dele, com armas e granadas nas mãos. Os outros dois saíram, metralhando os ocupantes do carro de Argaña.
Segundo Planás, um dos jagunços brasileiros atirou cinco vezes do lado direito do carro, enquanto o outro fazia o mesmo do lado esquerdo. E eles fizeram o trabalho tranquilamente, recarregando as armas e dando mais cinco tiros.


