Jacarta reprime manifestação
Associated Press
De Jacarta
As forças de segurança indonésias usaram gás lacrimogêneo e armas de fogo para dispersar ontem cerca de 10 mil estudantes que pediam a renúncia do presidente B. J. Habibie diante do Parlamento, em Jacarta, onde ele era esperado para fazer um discurso.
No pronunciamento, Habibie fez um balanço de seu governo iniciado com a queda do ditador Suharto, em maio do ano passado e pediu apoio a sua candidatura à presidência na eleição indireta marcada para quarta-feira.
Vocês têm armas e nós só temos pedras. Atirem, se se atrevem, gritavam manifestantes para os policiais. Vários deles jogaram coquetéis Molotov e pedras nas forças de segurança. Pelo menos 24 jovens ficaram feridos.
A multidão ameaçava lançar uma revolução se Habibie derrotar a líder oposicionista Megawati Sukarnoputri na eleição presidencial na Assembléia Consultiva do Povo (MPR).
Megawati foi a mais votada nas eleições parlamentares de junho, mas não tem maioria na MPR, formada pelos 500 membros do Parlamento e 200 representantes regionais e dos militares. Além de Megawati e Habibie, disputa a presidência o líder muçulmano Abdurrahman Wahid.
Habibie disse que tentou fazer o melhor para resolver os gigantescos problemas do país, prometeu levar adiante mais reformas democráticas e justificou a decisão de realizar um referendo em Timor Leste, cuja população optou por separar-se do país. Habibie também defendeu os promotores públicos que, na segunda-feira, encerraram uma investigação de corrupção contra Suharto.
Já o líder rebelde leste-timorense Xanana Gusmão, de 53 anos, anunciou ontem na Austrália que regressará a Timor Leste na semana que vem, depois de sete anos de ausência.





