Jacarta aceita o envio de força de paz
France Presse
De Jacarta
A Indonésia cedeu às pressões da comunidade internacional e aceitou ontem o envio de uma força de paz das Nações Unidas ao Timor Leste. O anúncio foi feito em cadeia nacional de TV pelo presidente indonésio Jusuf Habibie.
Tomei a decisão de informar ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, que o governo indonésio está disposto a aceitar uma força das Nações Unidas para a manutenção da paz, no Timor Leste, declarou Habibie.
A decisão coincidiu com a advertência, feita ontem pelo presidente dos EUA, Bill Clinton. Em tom de ultimato, ele pediu novamente à Indonésia que aceitasse o deslocamento de uma força internacional para o Timor Leste, reiterando as acusações contra o Exército indonésio e lançando ameaças de sanções econômicas.
Estamos reexaminando cuidadosamente nossos programas econômicos e comerciais ali, declarou Clinton num discurso durante a reunião anual do Fórum de Cooperação econômica da Ásia-Pacífico (APEC) em Auckland.
O anúncio do presidente indonésio Jusuf Habibie foi recebido com prudente satisfação pelos separatistas e a comunidade internacional. A decisão foi imediatamente saudada por vários países, entre eles os Estados Unidos, a Austrália (que fornecerá grande parte das forças), Grã-Bretanha, Portugal e França, assim como pelos dois principais dirigentes separatistas do Timor Leste.
Xanana Gusmão, líder separatista do Timor Leste, libertado terça-feira passada e a quem muitos vêem como futuro presidente, saudou da embaixada britânica em Jacarta a decisão indonésia, qualificando-a de corajosa.
O prêmio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, que está em Auckland (Nova Zelândia), conclamou a ONU a começar imediatamente o deslocamento de tropas e pediu o que se lance, nas próximas horas, víveres em pára-quedas para 100 mil refugiados nas zonas montanhosas do Timor.
O presidente francês Jacques Chirac e o secretário do Foreign Office, Robin Cook, além do presidente americano Bill Clinton também expressaram satisfação com a notícia. Portugal, ex-potência colonial neste território, expressou prudente satisfação. John Moore, ministro da defesa da Austrália, saudou a decisão de Jacarta. Seu país enviaria uma força de entre 6 mil e 7 mil efetivos a Timor Leste.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá dar logo autorização ao deslocamento da força da paz ao Timor Leste. Os 15 membros dos Conselho deverão se reunir hoje de manhã em Nova York à espera do chefe da diplomacia indonésia, Ali Alatas.
Numerosas questões serão colocadas para Alatas e o secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan. Destacam-se entre elas: a responsabilidade da manutenção da paz será compartilhada entre a força internacional e a Indonésia, o exército indonésio iniciará uma retirada gradual, a força internacional estará autorizada a desarmar as milícias?
Em declaração, ontem, Annan afirmou que espera a chegada de Alatas para colocar em prática rapidamente os detalhes dos preparativos da força, de modo que o Conselho de Segurança possa tomar uma decisão logo e que os sofrimentos do povo timorense cheguem ao fim.





