O número oficial de mortes causadas pelo terremoto que anteontem devastou uma ampla área do leste da Venezuela subiu para 59, informaram ontem autoridades. O total de feridos também aumentou para 322. O tranquilo povoado de Cariaco, assentado sobre uma falha sísmica, foi o mais afetado pelo tremor de terra que sacudiu o turístico nordeste da Venezuela, e onde morreram 41 das 59 vítimas fatais reportadas até às 11h00 locais de ontem (12h00 de Brasília).
O governador do estado Sucre, Ramón Martínez, disse que contabilizou também 322 feridos, 46 resgatados de casas danificadas e 186 casas totalmente destruidas pelo terremoto de anteontem. Os moradores de Cariaco, 350 kms a leste de Caracas, viveram a tragédia com maior intensidade por causa da destruição de uma escola primária e o ginásio secundário Raymundo Centeno, o maior da zona.
Os serviços de socorro acreditam que nos dois colégios encontravam-se cerca de cem crianças e jovens do turno vespertino. Dos escombros do Raymundo Centeno, foram resgatados 30 cadáveres e porta-vozes dos serviços de socorro admitem que pelo menos onze corpos ainda estão soterrados.
Cariaco tem 15.000 habitantes e conta com a maior central açucareira da região, além de importante produção suína e pesca comercial. Também há a represa de Cariaco, que proporciona grande parte da água potável à ilha Margarita, 340 kms a noroeste de Caracas, principal centro turístico de Venezuela. O governador Martínez disse que no centro desta cidadezinha ficaram totalmente destruidas 186 casas, e outras 300 estão gravemente danificadas.
Em Cumaná, a capital regional, os serviços de socorro encontraram ontem nove mortos e 13 sobreviventes do prédio de sete andares que ruiu com a força do terremoto. A terceira cidade mais afetada foi a agrícola Casanay, 30 kms a leste de Cariaco, onde pelo menos cinco pessoas morreram.
Cumaná, cidade colonial de 230.000 habitantes, fundada em 1521, berço do herói libertador Antonio José de Sucre, principal lugar-tenente do mítico Simón Bolívar, foi devastada anteriormente por outros dois terremotos, em 1853 e 1929. Esse tremor foi o maior registrado na Venezuela desde 1967, quando um terremoto deixou um saldo de 400 mortos em Caracas.

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