Já passam de 100 os mortos na Itália
Já passam de 100
os mortos na Itália
Governo italiano é acusado de lentidão no atendimento às vítimas
Reuters
France Presse
Pompéia do ano 2000Um mar de lama escorreu das montanhas da região em consequência de chuvas torrenciais e cobriu seis povoados. Até ontem à noite as equipes de resgate contabilizavam 101 mortos, 107 desaparecidos e falavam em 1,5 mil desabrigadosO governo italiano decretou estado de emergência na Campânia (sul do país), onde um mar de lama, que escorreu das montanhas da região em consequência de chuvas torrenciais, cobriu seis povoados e matou 101 pessoas.
Há 107 desaparecidos e algumas fontes falam em até 1,5 mil desabrigados, informou Andrea Todisco, chefe do Departamento de Defesa Civil (com sede em Roma), acrescentando que as operações de busca foram intensificadas na área de Sarno, já definida pela imprensa italiana como Pompéia do ano 2000 - referência à cidade destruída pelo Vesúvio no ano 79.
A região afetada fica a cerca de 50 quilômetros ao sul de Nápoles e do Vesúvio. O barro que desceu como lava das montanhas cobriu pequenas casas, automóveis e transformou praças em verdadeiros terrenos baldios, com pedras e gravetos. Sarno foi uma das vilas mais atingidas. Do total de mortos, 80 moravam ali. Ontem, as equipes de socorro conseguiram resgatar dois sobreviventes dos escombros de uma casa. Na madrugada, haviam retirado do lodo 25 corpos.
O primeiro-ministro Romano Prodi destinou cerca de US$ 30 milhões para os trabalhos de reconstrução dos povoados. O governo foi acusado de não agir com a rapidez necessária, deixando a coordenação inicial dos trabalhos aos prefeitos. Embora mais de 3 mil bombeiros, carabineiros, guardas rodoviários, guardas florestais, soldados do Exército, membros da Cruz Vermelha, da Caritas e de 50 outras entidades terem chegado rapidamente ao local, não houve uma imediata coordenação dos trabalhos. Só depois de 48 horas, foi montado um centro de coordenação - o Centro Operacional Misto, previsto na legislação vigente - no mercado de Sarno.
A Marinha americana, que dispõe de uma base em Nápoles, incorporou-se à equipe de socorro, mandando para área afetada um comboio de 15 caminhões com soldados, medicamentos e barracas de campanha para os desabrigados. Dezenas de helicópteros continuam sobrevoando as encostas do Monte DAlbano, onde se localizam as vilas atingidas. Vai ser muito difícil encontrar mais sobreviventes por aqui, lamentou Todisco, o chefe do Departamento de Defesa Civil, apontando para o barro solidificado pela intensa exposição ao sol.
Na praça principal de Sarno, dezenas de pessoas esperavam notícias de parentes desaparecidos. Corriam em direção às ambulâncias e helicópteros que chegam de Episcopio - um distrito de Sarno totalmente coberto pelo lodo. Tenho sete parentes ali, ressaltou um homem. Está vivo!, exclamou uma mulher, correndo em direção a um sobrevivente.
Episcopio foi isolada pela polícia. Várias escavadeiras e tratores estão sendo levados para o local, para remover a lama.





