Iugoslavos rejeitam proposta da Otan
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Reuters 
Enquanto os negociadores iugoslavos classificavam ontem de fraude o acordo apresentado a eles na conferência de paz de Paris e exigiam reforma de 70% do texto original, o 3º Exército da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) declarava-se pronto para defender Kosovo.
Nossas tropas estão preparadas para impedir o desembarque de qualquer soldado estrangeiro em nosso território, advertiu o general iugoslavo Nebojsa Pavkovic, comandante da corporação. Vamos defender Kosovo a qualquer preço.
Segundo o Departamento de Defesa dos EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, ordenou uma grande concentração de forças ao longo da fronteira de Kosovo.
O número de soldados subiu de 10 mil em meados da semana passada para mais de 20 mil, confirmou o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon. Certamente, estão se preparando para a guerra.
A Otan estima em 18 mil o total de soldados iugoslavos no interior da província - 8 mil a mais do que o estipulado no malogrado acordo de cessar-fogo de outubro. Além disso, é grande também a mobilização de blindados e tanques T-72 (com canhões de 125 milímetros) e rampas móveis de lançamento de mísseis.
Ontem, uma coluna de soldados iugoslavos, apoiados por sete tanques T-72, penetrou no território na região de Podujevo e perto da fronteira macedônia (onde a Otan estacionou pelo menos 10 mil soldados).
Em sua trajetória, a coluna bombardeou e incendiou várias aldeias de albaneses étnicos, informou um porta-voz do grupo rebelde Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
A agência noticiosa oficial iugoslava Tanjug definiu a operação como neutralização de focos terroristas.
O novo ataque a povoados aumentou o êxodo de refugiados. Verificadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estão extremamente preocupados com o deslocamento inusitado de soldados e tanques nas proximidades do povoado de Belacevac.
Na capital francesa, a paciência do Grupo de Contato (EUA, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Itália) com os sérvios parecia ter chegado à beira da exaustão. Os governos americano, francês e britânico renovaram as ameaças de ataque, enquanto o presidente russo, Boris Yeltsin, pedia aos sérvios (tradicionais aliados da Rússia) flexibilidade e aceitação do acordo nos termos originais.


