Enquanto os negociadores iugoslavos classificavam ontem de ‘‘fraude’’ o acordo apresentado a eles na conferência de paz de Paris e exigiam reforma de 70% do texto original, o 3º Exército da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) declarava-se pronto para defender Kosovo.
‘‘Nossas tropas estão preparadas para impedir o desembarque de qualquer soldado estrangeiro em nosso território’’, advertiu o general iugoslavo Nebojsa Pavkovic, comandante da corporação. ‘‘Vamos defender Kosovo a qualquer preço.’
Segundo o Departamento de Defesa dos EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, ordenou uma grande concentração de forças ao longo da fronteira de Kosovo.
‘‘O número de soldados subiu de 10 mil em meados da semana passada para mais de 20 mil’’, confirmou o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon. ‘‘Certamente, estão se preparando para a guerra.’
A Otan estima em 18 mil o total de soldados iugoslavos no interior da província - 8 mil a mais do que o estipulado no malogrado acordo de cessar-fogo de outubro. Além disso, é grande também a mobilização de blindados e tanques T-72 (com canhões de 125 milímetros) e rampas móveis de lançamento de mísseis.
Ontem, uma coluna de soldados iugoslavos, apoiados por sete tanques T-72, penetrou no território na região de Podujevo e perto da fronteira macedônia (onde a Otan estacionou pelo menos 10 mil soldados).
‘‘Em sua trajetória, a coluna bombardeou e incendiou várias aldeias de albaneses étnicos’’, informou um porta-voz do grupo rebelde Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
A agência noticiosa oficial iugoslava Tanjug definiu a operação como ‘‘neutralização de focos terroristas’’.
O novo ataque a povoados aumentou o êxodo de refugiados. Verificadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) estão extremamente preocupados com o deslocamento inusitado de soldados e tanques nas proximidades do povoado de Belacevac.
Na capital francesa, a paciência do Grupo de Contato (EUA, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Itália) com os sérvios parecia ter chegado à beira da exaustão. Os governos americano, francês e britânico renovaram as ameaças de ataque, enquanto o presidente russo, Boris Yeltsin, pedia aos sérvios (tradicionais aliados da Rússia) flexibilidade e aceitação do acordo nos termos originais.

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