Iugoslávia se une pela saída de Milosevic
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Associated Press De Belgrado 
Dezenas de milhares de opositores do presidente Slobodan Milosevic saíram ontem às ruas de toda a Sérvia, lançando o que a oposição acredita ter sido uma onda nacional de greves e desobediência civil para pressionar o autocrático governante a aceitar uma derrota eleitoral e abandonar o poder.
Enquanto líderes da oposição explicavam a campanha para cerca de 25 mil pessoas na praça principal de Belgrado, atos espontâneos de desobediência civil já pipocavam em várias cidades do país. Estudantes promoveram manifestações no sul, comerciantes fecharam suas lojas no leste e funcionários de rede de televisão cortaram as transmissões no norte. Atores entraram em greve e cinemas não funcionaram.
Bernard Kouchner, o administrador de Kosovo da ONU chamou o presidente iugoslavo de mentiroso e o acusou de ter manipulado a seu favor os votos dados na província sérvia.
Kouchner disse que apesar de os partidários de Milosevic terem dito que 140 mil pessoas votaram em Kosovo no máximo houve pouco menos de 45 mil votos, e provavelmente muito menos, segundo 300 equipes de observadores da ONU.
Um membro oposicionista da comissão, Nebojsa Bakarac, disse que Milosevic falsificou mais de 100 mil votos de urnas que nunca foram abertas de cidades povoadas por albaneses em toda a província de Kosovo e que existe prova de que pessoas mortas há muito tempo votaram.
O líder oposicionista Zoran Djindjic disse à multidão em Belgrado para parar seu trabalho, sair e ficar nas ruas, para que este país encontre seu caminho para o futuro. A Sérvia tem de parar que Milosevic desocupe uma cadeira à qual ele não tem mais direito.
Notícias sobre as atividades da oposição são espalhadas com dificuldade na maioria das vezes no boca a boca desde que a única estação de rádio independente estava fora do ar no centro de Belgrado, onde vive a maioria dos moradores da capital.
Fora de Belgrado, a campanha começou logo pela manhã. Milhares de estudantes do segundo grau abandonaram as classes em Nis, a terceira maior cidade da Sérvia, e saíram às ruas. Agitando cartazes anti-Milosevic, eles gritavam: Salve a Sérvia e se mate, Slobodan, enquanto taxistas bloqueavam as ruas ao redor.
Atos semelhantes que contaram com a participação de comerciantes e empregados de empresas foram realizados em dezenas de outras cidades em toda a Sérvia, inclusive nos bastiões oposicionistas de Cacak e Kragujevac.
Ontem, a oposição Sérvia entrou com uma reclamação oficial junto à Comissão Eleitoral Federal, apresentando a contagem dela que mostra que Kostunica vence Milosevic já no primeiro turno, por 51,34% a 36,22%.
Se a comissão não reverter sua posição, a oposição irá levar o caso à Corte Constitucional do país. A oposição anunciou que iria enviar delegações a quartéis do exército, ao Ministério do Interior e à televisão estatal sérvia com documentos provando que venceu a eleição.
Kostunica pediu uma recontagem independente dos votos, apelando especialmente à vizinha Grécia para ajudar a aliviar as tensões causadas pelos números bastante diferentes apresentados pela oposição e pela comissão governamental.
A Grécia, membro da Otan, tem sugerido que a oposição reconsidere a possibilidade de participar do segundo turno caso seja autorizada a participação de observadores eleitorais internacionais.


