Iugoslávia rompe relações com Albânia
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domingo, 18 de abril de 1999
AE-AP 
France PresseSem saídaGrupo de refugiados albaneses chega a Morini, principal ponto de entrada de Kosovo para a Albânia: área de minasA República Federal da Yugoslávia rompeu ontem relações diplomáticas com a Albânia, informou o governo albanês em uma declaração divulgada pela rádio estatal.
Essa decisão deve-se à cumplicidade direta de Tirana em apoio aos Estados Unidos e à Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos ataques contra a Iugoslávia, informou o governo de Belgrado às autoridades de Tirana.
O governo albanês informou que era previsível a reação da Iugoslávia. As relações entre os dois países eram tensas desde o início da crise de Kosovo, mas pioraram consideravelmente quando a Albânia pôs seu território e aeroportos à disposição da Otan.
Tirana criticou a Iugoslávia duramente pelas recentes incursões de soldados sérvios que lutam contra os rebeldes do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) e pelos bombardeios de vilarejos albaneses que ficam na fronteira.
Disparos de artilharia iugoslava têm ocorrido recentemente contra o território albanês em resposta, possivelmente, às provocações do ELK, que possui bases no noroeste da Albânia, perto da fronteira com Kosovo.
O anúncio da ruptura de relações por parte de Belgrado ocorreu um dia depois da visita a Tirana do comandante das forças da Otan na Europa, Wesley Clark, que declarou que a aliança enviará tropas à fronteira albano-iugoslávia para proteger os campos de refugiados. Clark também prometeu à Albânia que a Otan a ajudará na defesa de sua integridade territorial e segurança nacional.
Enquanto as forças da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) intensificavam seus ataques à Iugoslávia, o drama dos albaneses étnicos forçados a fugir da província sérvia de Kosovo aumentava.
Ontem, um carro com uma família de kosovares que seguia para a fronteira com a Albânia passou sobre uma mina, matando cinco pessoas, entre elas três crianças. A explosão ocorreu em Morini, principal ponto de entrada de Kosovo para a Albânia, por onde passaram mais de 23 mil refugiados.
A magnitude das alegadas atrocidades sérvias em Kosovo poderia ter atingido proporções ainda maiores que as imaginadas, com um número de mortos que chegaria a dezenas de milhares, indicou ontem David Scheffer, embaixador do governo norte-americano sobre crimes de guerra à rede de tevê Fox.
Há pelo menos 100 mil pessoas que não sabemos onde estão, disse Scheffer, acrescentando que as estimativas da Otan de 3,2 mil mortos em Kosovo eram muito baixas.
O porta-voz militar da Otan, Giuseppe Marani, disse ontem que a aliança tem provas da existência de 43 valas comuns em Kosovo. Segundo Marani, fotos aéreas detectaram tumbas alinhadas como sepulturas individuais, direcionadas para o sudeste, em direção a Meca.
Duzentos e setenta kosovares, a última leva dos 10 mil refugiados que a Alemanha concordou em receber, chegaram no sábado à noite a Bonn. Já a Bélgica e a França receberam ontem seus primeiros grupos de refugiados. Um avião A-310 aterrissou na base militar de Melsbroek, perto de Bruxelas, com 170 kosovares, entre eles 60 crianças - a Bélgica receberá 1.200 refugiados. Um dos três aviões que deveriam trazer 317 refugiados à França aterrissou em Lyon com 149 kosovares que estavam no campo de Skopje.


