O chanceler iugoslavo, Goran Svilanovic, reiterou ontem a posição de seu governo e disse à promotora Carla del Ponte, que cumpriu o segundo dia de visita oficial a Belgrado, que o ex-presidente Slobodan Milosevic deveria ser processado na Iugoslávia e não no Tribunal Penal Internacional.
‘‘A posição oficial de nosso governo é a de que um julgamento deveria ser realizado em nosso país’’, disse Svilanovic. Ponte está na Iugoslávia exatamente para tentar persuadir o governo local a enviar Milosevic à Haia (Holanda), onde está localizada a sede do tribunal internacional.
Svilanovic afirmou que a maioria dos sérvios não confia na corte de Haia e que um julgamento de Milosevic em casa ajudaria a construir uma confiança na população com relação às cortes locais.
No momento do encontro entre o chanceler iugoslavo e Ponte, cerca de 200 seguidores de Milosevic protestavam em frente ao prédio do Ministério das Relações Exteriores, onde ocorria a reunião.
ProtestosCerca de 300 manifestantes vaiaram a promotora do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI), Carla del Ponte, em sua chegada ao ministério das Relações Exteriores em Belgrado.
Um cordão policial protegia a entrada do ministério, situado em uma grande avenida, não muito longe do centro da cidade. Entre os manifestantes figuravam refugiados sérvios de Kosovo, que tiveram parentes desaparecidos durante e depois do conflito de 1998-99 nesta província sérvia povoada por maioria albanesa.
Uma delegação desses familiares pôde entrar no ministério para entrevistar-se com Carla del Ponte, comprovou a AFP.
Anteriormente, houve incidentes entre os refugiados e outros manifestantes que chegaram ao local respondendo à convocação da Frente Patriótica, organização da Esquerda Iugoslava de Mira Markovic, esposa de Slobodan Milosevic, acusado de crimes de guerra.
A visita de Carla del Ponte à Belgrado atiçou o debate na Iugoslávia sobre a conveniência de colocar à disposição da instituição judicial o ex-presidente Milosevic, símbolo do nacionalismo sérvio.
A questão do comparecimento de Milosevic ante o TPI continua sendo para todos os sérvios um caso muito sensível. Os sérvios temem que o processo de alguns responsáveis acabe virando o processo contra todo um povo.
O presidente iugoslavo Vojislav Kostunica transmitiu esta preocupação durante sua entrevista com Carla del Ponte, junto a quem colocou como condição para iniciar a cooperação entre Belgrado e o TPI o estabelecimento de um documento definindo as modalidades de ação do Tribunal.

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