O presidente iugoslavo Slobodan Milosevic disse estar disposto a ‘‘erradicar o terrorismo’’ albanês em Kosovo, onde as forças do governo intensificaram as operações, deixando cerca de trinta mortos desde o fim de semana passado.
Adem Demaçi, representante político do Exército de Libertação de Kosovo (UCK), disse à AFP que os separatistas continuarão sua ‘‘luta guerrilheira’’ contra as forças sérvias até que os albaneses da província ‘‘obtenham a liberdade’’.
‘‘O UCK tem neste momento cerca de 30.000 homens armados’’, segundo ele, e quando ‘‘se mobilizarem através de toda a Kosovo, os sérvios não terão como detê-los’’.
Os dois grupos permanecem surdos ao novo chamado de cessar-fogo lançado segunda-feira pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Para Milosevic, que se reuniu terça-feira em Belgrado com o mediador norte-americano, Christopher Hill, ‘‘a erradicação do terrorismo é indispensável para estabilizar a situação’’ em Kosovo.
Hill, encarregado de conduzir as negociações indiretas entre Belgrado e os dirigentes de Kosovo, prosseguiu sua missão ontem em Pristina, capital da província, informou uma fonte diplomática.
O ‘‘presidente’’ dos albaneses de Kosovo, Ibrahim Rugova, nomeou em meados de agosto uma equipe de negociadores dirigida por Fehmi Agani, mas se nega a discutir diretamente com Belgrado enquanto as forças sérvias não tiverem paralisado suas operações.
Esta equipe exclui a participação de representantes do UCK, que não reconhece a autoridade de Rugova.
Agani estimou que as negociações ‘‘se impõem’’, mas que são pouco prováveis nas circunstâncias atuais, segundo declarações publicadas ontem em Belgrado.
‘‘A situação é perigosa e as negociações são necessárias, mas é difícil lançá-las, pois não se chegou a nenhum ponto em comum nos entendimentos indiretos’’, disse Agani ao jornal Glas Javnosti.France PresseAbandonoA criança, refugiada de guerra, é o retrato do sofrimento em KosovoAlexandra Niksic
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