O porta-voz do Partido Socialista (SPS), do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, disse ontem que a Iugoslávia estava exposta a ‘‘um perigo de guerra iminente’’ e que levava ‘‘muito a sério’’ as ameaças de ataques da Otan.
‘‘Faremos o possível para defender nosso país se for atacado (...) Há um alto nível de unidade sobre esta questão no seio do governo dos parlamentos (iugoslavo e sérvio) assim como na população’’, afirmou o porta-voz, citado pela agência Tanjug.
O premier iugoslavo Momir Bulatovic tinha pedido segunda-feira ao Parlamento federal ‘‘para comprovar que a RFI está exposta a um perigo de guerra iminente’’, mas os deputados se abstiveram de mencionar esta fórmula em sua resolução sobre Kosovo.
A resposta às ameaças políticas e militares será ‘‘defender nosso país e salvaguardar nossos interesses nacionais vitais’’, acrescentou o porta-voz.
‘‘As ameaças entorpecem a busca de uma solução política e põem em perigo a paz e a estabilidade em toda a região’’, estimou.
Segundo o porta-voz, as ameaças dirigidas à Iugoslávia constituem ‘‘um ato brutal e sem fundamento que reflete uma política e argumentos de força,enquanto a força dos argumentos está do nosso lado’’.
O porta-voz reiterou ‘‘a posição muito clara’’ de Belgrado sobre a crise no Kosovo: ‘‘Todos os problemas podem ser resolvidos unicamente por meios pacíficos’’.
Tensão em Pristina Uma crescente tensão se podia perceber hoje em Pristina, na espera de uma decisão da Otan sobre eventuais ataques contra objetivos sérvios, enquanto os diplomatas consideram a situação no Kosovo instável e imprevisível.
Em particular, era difícil, quase impossível, avaliar com precisão o grau de aplicação por Belgrado das exigências da comunidade internacional, essencialmente no que concerne ao recuo das forças de segurança e à possibilidade para milhares de albaneses de Kosovo, desabrigados pelos combates, de regressar aos lares.
A resolução 1199, adotada a 23 de setembro passado pelo Conselho de Segurança da ONU, que compreende estas exigências, também solicita um cessar-fogo imediato e a abertura do diálogo sobre o futuro estatuto de Kosovo, entre Belgrado e os representantes dos albaneses, que constituem 90% da população.
Há uma semana não se registra nenhum combate de grande envergadura, e Belgrado propôs reativar as conversações, o que foi rechaçado pelos albaneses.
A Otan prevê lançar ataques aéreos para obrigar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a ceder, se as concessões feitas nos últimos dias forem consideradas insuficientes.France PresseManifestaçãoAlbaneses realizam manifestação em Bruxelas, mostrando fotos dos civis que foram mortos em KosovoFrance Presse

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