Iugoslávia é bombardeada pela Otan
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Reuters 
Pouco depois de um dramático pronunciamento do presidente Slobodan Milosevic justificando a decisão de resistir a qualquer preço à agressão da Otan e de uma ameaça do Kremlin de deslocar armas nucleares táticas para a Bielo- Rússia, começaram a cair ontem à noite as primeiras bombas sobre alvos militares e estratégicos na Sérvia (incluindo Kosovo), lançadas provavelmente de aviões B-52.
Há dezenas de mortos, principalmente militares e parentes de militares, informava pouco depois a agência noticiosa iugoslava Tanjug. Pelo menos 20 alvos foram atingidos, segundo a rede de televisão a cabo americana CNN, que mantém dois repórteres em território iugoslavo.
Sob controle total da polícia sérvia, as emissoras de rádio e de televisão iugoslavas limitaram-se praticamente anunciar o início do bombardeio. Fiquem tranquilos, os criminosos da Otan não nos vão vencer, disse o apresentador da TV estatal, sem dar detalhes.
Num primeiro momento, a população de Belgrado - capital da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) - não demonstrou muita apreensão, nem mesmo quando as sirenes começaram a soar por alguns minutos e riscos alaranjados de dois mísseis surgiram no céu, seguidos de explosões. Não houve nenhuma alteração no trânsito nem no movimento de pedestres no centro da cidade. Pela manhã, intensas filas de carros formaram-se junto aos postos de gasolina e depósitos de gás de cozinha. Também era intensa a procura de alimentos nos supermercados.
Em Pristina - capital de Kosovo (província sérvia cuja população é, em sua maioria esmagadora, de origem albanesa) - as ruas da cidade ficaram vazias durante todo o dia. Ouviam-se tiros esporádicos de fuzil e outras armas leves. A população permaneceu em suas casas. A energia elétrica foi cortada. E, quando a noite caiu, a cidade estava às escuras.
Por volta de 20 horas soaram as sirenes, anunciando o bombardeio. Quinze minutos depois, riscos alaranjados surgiram no céu e ouviram-se pelo menos cinco grandes explosões.Quando explosões já eram ouvidas em Belgrado, o presidente americano, Bill Clinton, e o secretário-geral da Otan, Javier Solana, apareciam em público para confirmar o início da operação militar.
Estamos lutando contra uma agressão destrutiva, racial, étnica, religiosa e cultural, disse Clinton, referindo-se a Milosevic. Se não atuarmos agora, será pior.
Solana também atribuiu a operação militar à resistência do presidente iugoslavo. Milosevic é o único responsável pelos ataques aéreos, pois se nega a conter as ações violentas (dos sérvios) em Kosovo e negociar de boa-fé.


