Iugoslávia diz que aceita plano do G-8
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Ansa 
A Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) está disposta a reduzir as forças sérvias em Kosovo (cerca de 55 mil homens) aos níveis dos tempos de paz (7 mil), informou ontem o porta-voz da chancelaria iugoslava, Zoran Jeremic. A declaração coincidiu com a cética reação da Organização do Tratado doAtlântico Norte (Otan) à decisão do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, de aceitar, em carta enviada ao governo alemão, os princípios do plano de paz do Grupo dos Oito (sete países mais ricos e a Rússia).
A Otan, estimulada pelos Estados Unidos e a Grã-Bretanha, exige o cumprimento de um plano de 5 pontos para suspender os bombardeios ao território iugoslavo, que inclui a retirada total das tropas sérvias de Kosovo.
France PresseTiranaSoldados norte-americanos aquartelados na Albânia fazem exercício com máscaras de proteção contra armas químicasOs bombardeios vão continuar, disse o general Wesley Clark, comandante das forças da Otan, que admitiu ontem mais um erro de pontaria da aviação aliada. Dois mísseis ultrapassaram o alvo - um quartel - e atingiram um bairro residêncial de Novi Pazar (250 quilômetros ao sul da capital), matando, segundo fontes oficiais sérvias, 23 pessoas e ferindo mais de 100.
As mesmas fontes anunciaram a morte do vice-chefe do Estado-Maior do Exército, general Ljubisa Velickovic, durante inspeção a tropas em Kosovo, sem esclarecer a causa - consequência de bombardeio ou morte natural.
A carta do governo iugoslavo - enviada ao Ministério das Relações Exteriores da Alemanha - é escrita em inglês e assinada pelo chanceler iugoslavo, Zivadin Janovic. Nela, Janovic pede o fim da campanha aérea da aliança, que classifica de matança sistemática de civis.
Belgrado, diz ele, está firmemente empenhada na obtenção de um acordo de paz, fundamentado nos princípios do plano do G-8, incluindo presença (militar) da ONU, mandato e outros dispositivos a serem decididos em resolução do Conselho de Segurança.
O ministro das Relações Exteriores alemão, Joschka Fischer, recebeu a iniciativa com otimismo. As coisas estão-se movimentando, disse ele antes de participar de um encontro entre o chanceler alemão, Gehrard Schroeder, o subsecretário de Estado americano, Strobe Talbott, o presidente finlandês, Martti Ahtisaari, representante da União Européia, e o negociador russo Viktor Chernomyrdin.
Eles analisaram a oferta de Belgrado. Chernomyrdin saiu satisfeito do encontro. Ahtisaari comentou: Acho que já dispomos de elementos para clarear as coisas. Prudente, o chanceler alemão ressaltou que ainda não existem grandes motivos para euforia. Hoje, Ahtisaari viajará com Chernomyrdin para Belgrado.
Segundo o ministro sem pasta iugoslavo Goran Matic, em mais duas ou três reuniões Milosevic divulgará uma declaração que já tem pronta. Isso se os Estados Unidos e a Grã-Bretanha não sabotarem mais essa iniciativa, ressaltou. Sempre que se tem uma perspectiva de resolver a crise por meios diplomáticos, Washington e Londres intensificam os bombardeios.
A Otan fêz um balanço de 70 dias de bombardeio, completados ontem. Foram atingidos 647 objetivos militares e destruídos 38% das comunicações de rádio, 40% do sistema de produção e manutenção de mísseis, 100 aviões e dezenas de pontes rodoviárias e danificados 9 aeroportos.


