Brasília – O Itamaraty lamentou ontem a decisão da Turquia de chamar seu embaixador no Brasil de volta a Ancara. A medida turca foi um protesto contra o reconhecimento do genocídio armênio pelo Senado, no último dia 2. Em comunicado inusualmente longo e detalhado, a Chancelaria brasileira explica em cinco parágrafos como tentou resolver o impasse. E critica a Turquia por acusar a Câmara Alta do Legislativo brasileiro de "distorcer a realidade". A moção foi apresentada no dia 26 de maio pelos senadores José Serra e Aloysio Nunes Ferreira, ambos do PSDB de São Paulo.
"O Senado agiu dentro de suas prerrogativas constitucionais e em consonância com o princípio da independência de Poderes consagrada pela Constituição brasileira", diz a nota do Itamaraty.
O Ministério das Relações Exteriores afirma que o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Sergio Danese, recebeu o embaixador turco, Hüseyin Diriöz, e o representante armênio, Ashot Galoyan, para explicar a moção.
O Itamaraty diz ainda que, na ocasião, foi reiterada a posição oficial brasileira de não reconhecer como genocídio o massacre que completou cem anos em 24 de abril.

DISTORÇÃO

A Turquia convocou o seu embaixador no Brasil depois de uma resolução, descrita como "irresponsável" pelo seu ministério das Relações Exteriores, aprovada pelo Senado desse país reconhecendo o genocídio armênio de 1915."Condenamos a resolução do Senado brasileiro que distorce os fatos históricos sobre os eventos de 1915", disse o ministério em um comunicado, acrescentando que seu embaixador Hüseyin Diriöz havia sido "chamado para consultas".
A moção de solidariedade para com o povo armênio do Senado brasileiro, apresentada pelos senadores do PSDB, foi aprovada na última terça-feira, dia 2 de junho, por 55 dos 88 senadores.
O embaixador turco em Brasília foi chamado no palácio do Itamaraty em 1º de junho, um dia antes da votação do Senado, e "recebeu amplas explicações sobre os procedimentos em curso no Senado, sobre o sentido do requerimento do Senado e sobre a tradicional posição do Brasil sobre este assunto, que permanece inalterada", informou a chancelaria brasileira em um comunicado.
O ministério das Relações Exteriores brasileiro também ressaltou que tinha a expectativa de que as relações bilaterais entre a Turquia e o Brasil, "formalmente definidas como estratégicas, possam voltar em breve à normalidade completa."
A Turquia denuncia sistematicamente as declarações que descrevem como genocídio os massacres de centenas de milhares de armênios pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial, ou o desejo de reconhecê-lo. Os armênios calculam que 1,5 milhão de pessoas morreram de maneira sistemática entre 1915 e 1917, os últimos anos do Império Otomano. A Turquia rejeita essa versão.

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