Itamarati explica volta do embaixador no Peru
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terça-feira, 24 de dezembro de 1996
Aldo Renato Soares, da Agência Estado 
BRASÍLIA - A volta ao Brasil do embaixador brasileiro no Peru, Carlos Luís Coutinho Peres, foi considerada normal pelo Itamaraty porque o governo peruano não pediu a intermediação do Brasil nas negociações com o Movimento Revolucionário Tupac Amaru, que na última terça-feira invadiu a residência do embaixador japonês em Lima, capital do Peru, fazendo centenas de reféns. Coutinho Peres era um dos reféns.
Fontes do Itamaraty disseram ontem à Agência Estado que as declarações de Alfredo Torres, um dos reféns soltos junto com o embaixador brasileiro, não precisam ser interpretadas de forma ampla. Torres, diretor de um instituto de pesquisa, disse que ficou feio para o embaixador e para o Brasil o fato de Coutinho Peres ter voltado para Brasília depois de libertado pelos terroristas. Foi a manifestação de uma pessoa que estava abalada emocionalmente no episódio, acrescentou a fonte.
Em nenhum momento o governo do Peru pediu a intervenção do Brasil nas negociações com os terroristas, explicou ontem um diplomata. Segundo o Itamaraty, como não há mais brasileiros reféns na residência do embaixador japonês em Lima, não há motivos para o embaixador Carlos Luís Coutinho Peres permanecer na capital peruana. Além disso, o embaixador Coutinho Peres recebeu uma ordem do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para retornar ao Brasil.
O diplomata sustentou que é praxe, nestas situações, que o presidente chame o embaixador para fazer um relato dos acontecimentos. No Itamaraty, o embaixador Carlos Luís Coutinho Peres tem fama de ser uma pessoa ríspida no trato pessoal. Mas este traço de caráter não comprometeu sua carreira. Ele é um diplomata experiente com quase 40 anos de serviço, garante a fonte.
Coutinho Peres é embaixador do Brasil no Peru desde 1993.


