São Paulo - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, confirmou ontem que a Itália vai retirar 300 soldados do Iraque em setembro próximo, marcando o início da saída da Itália do país. Ele negou que o movimento esteja relacionado com ameaças de terrorismo.
A Itália enviou três mil homens ao Iraque, oficialmente em ''missão de paz'', apesar de a maioria do país ser contrária à intervenção militar. Até o momento, 25 morreram em ataques e acidentes.
Ontem, um site islâmico divulgou um comunicado, assinado por um desconhecido que se apresentou como o ''o combatente, irmão e professor'' Louis Atiat Allah, dizendo que a Itália tem ''uma dívida antiga'' que ainda não foi saldada por Berlusconi. ''Os iraquianos decidiram agora falar em nome do islã e dos muçulmanos para obrigar Berlusconi a pagar as dívidas de sangue de seu povo'', dizia o texto.
''A situação não mudou. Vamos iniciar, como eu já anunciei previamente, uma retirada parcial de cerca de 300 soldados em setembro'', afirmou Berlusconi, no fim da Cúpula do G-8 (reunião dos países mais ricos do mundo e a Rússia).
Na última quarta-feira, o ministro italiano das Relações Exteriores, Gianfranco Fini, afirmou que a retirada dos soldados italianos do Iraque deve ''respeitar a resolução da ONU'' (que prevê a saída das forças de coalizão até dezembro deste ano).
Em 4 de março passado, a morte de um agente italiano por soldados dos EUA no Iraque criou um clima de tensão entre Itália e EUA. Nicola Calipari foi atingido por soldados americanos logo depois de libertar a jornalista italiana Giuliana Sgrena, sequestrada em janeiro, na capital Bagdá.
Naquela época, Berlusconi chegou a anunciar o início da retirada italiana em setembro próximo, mas pressões externas e internas fizeram com que o primeiro-ministro desistisse temporariamente da idéia.

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