Roma - A Itália ordenou a apreensão de uma embarcação usada por uma ONG para o resgate de pessoas no mar Mediterrâneo por suspeitas de favorecer a migração clandestina, uma medida para frear a onda de imigrantes em situação ilegal que fogem da fome e das guerras. O barco, de nome Iuventa e que costumava ser usado pela ONG alemã Jugend Rettet para o resgate de migrantes na costa da Líbia, foi apreendido a pedido da Procuradoria de Trapani.

Barco Iuventa costumava ser usado pela ONG alemã Jugend Rettet para o resgate de migrantes na costa da Líbia
Barco Iuventa costumava ser usado pela ONG alemã Jugend Rettet para o resgate de migrantes na costa da Líbia | Foto: Andreas Solaro/AFP/4-11-2016



Em comunicado, a polícia italiana afirmou que a investigação judicial foi aberta em outubro de 2016 sob a acusação de "favorecer a imigração clandestina". A embarcação alemã foi retida no mar na noite de terça-feira (1º) pela Guarda Costeira italiana e acompanhada até o porto siciliano de Lampedusa.

A decisão da Procuradoria de apreender o barco foi tomada após quase um ano de investigações realizadas graças a uma "sofisticada tecnologia", afirma a nota divulgada pela polícia. "O barco se dedica normalmente ao resgate de migrantes perto da costa da Líbia e sua transferência para outras embarcações e sempre ocorre em águas internacionais, permanecendo habitualmente no mar da Líbia, próximo das águas territoriais", explica o comunicado.

Segundo o jornal "La Reppublica", uma equipe especializada da polícia recolheu indícios técnicos por várias horas dentro do barco e interrogou os membros da tripulação, de cerca de 16 pessoas. "Durante o interrogatório nos informaram que o barco seria apreendido e, por isso, pedimos um advogado", contou ao jornal Tommaso Gandini, ativista que se encontrava no barco Iuventa.

A ONG alemã, assim como a organização Médicos Sem Fronteiras, rechaçaram na segunda-feira (31) aderir ao "código de conduta" para resgatar migrantes no Mediterrâneo proposto pelas autoridades italianas.

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