Roma - O economista e ex-comissário europeu, Mario Monti, 68 anos, encarregado de substituir Silvio Berlusconi e formar um novo governo na Itália, afirmou após sua designação ontem que o país ''pode vencer a crise por meio do esforço coletivo''.
Monti advertiu, no entanto, que a Itália deve ser antes de tudo um elemento de ''força e não de debilidade'' da União Europeia.
As afirmações foram feitas durante uma breve declaração, realizada após sua designação oficial ontem por parte do presidente da República, Giorgio Napolitano.
Segundo Monti, para que a Itália se redima, ganhe direcionamento financeiro e volte a crescer economicamente, é necessário aplicar programas com ''equidade social''.
''Devemos isso a nossos filhos. Temos que lhes dar um futuro concretamente digno e com esperanças'', disse.
O presidente Napolitano reconheceu, por sua vez, que ''Monti é uma personalidade independente das intrigas políticas, respeitada na Europa e internacionalmente''.
A escolha do nome do economista Mario Monti ocorreu após uma série de reuniões com os líderes políticos de todos os partidos para a formação de um novo governo de emergência que conte com o consenso da maioria das forças políticas. Segundo a constituição italiana, a nomeação do economita deve ser aprovada no prazo de dez dias pelas duas câmaras do parlamento.
Com Monti, que foi durante dez anos comissário europeu, a Itália deverá pôr fim à fase de instabilidade financeira e aliviar as tensões de mercado em relação aos rumos do país.
Conhecido por seu rigor e pragmatismo, Monti deverá completar em poucos dias a lista de ministros, a maioria tecnocratas, para obter o apoio do Parlamento e impulsionar as medidas acordadas com a União Europeia para reduzir a colossal dívida pública e reaquecer uma economia cronicamente estagnada.
Berlusconi
Ontem também, o ex-chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, anunciou em uma mensagem transmitida pela televisão, que apoia a formação de um governo ''tecnocrático'' para salvar a Itália da crise, mas disse que ''não se renderá'' e que continuará trabalhando no Parlamento.
Berlusconi apresentou sua renúncia no sábado, entre vaias e aplausos de centenas de italianos, que foram às ruas para comemorar o que foi considerado ''um dia histórico'' pela a imprensa italiana.

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