Itália dá indulto a Ali Agca
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Agência Estado De Roma 
Ali Agca, o homem que tentou matar o papa João Paulo II em 13 de maio de 1981 deixou ontem a prisão na Itália e regressou à Turquia, sua terra natal. O presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, assinou por volta das 17 horas um documento, concedendo-lhe perdão.
Simultaneamente, o Ministério do Interior baixava decreto, extraditando-o para a Turquia - atendendo a pedido do próprio governo turco. Segundo a legislação italiana, nesses casos, após ser notificado da concessão da graça, o preso é conduzido ao aeroporto para embarque imediato.
Na Turquia, Agca deve cumprir pena de oito anos pelo assassinato de um jornalista em 1979, quando integrava o grupo terrorista de extrema-direita Lobos cinzentos. Julgado e condenado, ele conseguiu fugir da prisão com a ajuda de companheiros. E, segundo o advogado da família do jornalista morto, também com a colaboração do Estado turco.
É um sonho, agradeço ao papa e ao presidente Ciampi, foram as primeiras palavras de Agca, de 42 anos, na prisão de Montacuto, em Ancona, ao receber a notícia.
O papa recebeu com alegria e satisfação a decisão de Ciampi. Ele pedira clemência do Estado italiano para o ex-extremista turco em várias ocasiões. No ano passado o Vaticano informou oficialmente às autoridades italianas, por meio de canais diplomáticos, que não se opunha ao benefício.
João Paulo II perdoou o ex-terrorista turco quatro dias após o atentado, em seu quarto no hospital Gemelli. Depois o encontrou na prisão de Rebibbia, em Roma, em 27 de dezembro 1983. O papa renovou seu perdão e recebeu uma confissão de Agca, que naquela ocasião teria falado ao pontífice sobre o terceiro segredo de Fátima. Teria garantido que agiu sozinho em nome de Deus; que lhe tinha sido pedido para matar um bispo vestido de branco.
Voltou a falar de Fátima, dessa vez publicamente, em maio de 1985 durante uma das audiências de seu processo: O atentado ao papa está ligado ao terceiro segredo de Nossa Senhora de Fátima, disse.
Na época apenas a irmã Lúcia - que testemunhou as aparições com outros dois pastores portugueses -, o papa e o cardeal Joseph Ratzinger conheciam o segredo, revelado no mês passado durante a visita do pontífice ao santuário.
Os investigadores identificaram possíveis cúmplices - cidadãos búlgaros e turcos. Falou-se até no envolvimento de personagens da máfia e do terrorismo italiano. Mas a atenção maior dos magistrados concentrou-se na chamada pista búlgara - complô dos serviços secretos da Búlgária e da ex-URSS para assassinar o papa que contribuiu para o fim do comunismo. Para Moscou, isso não passou de uma invenção da CIA. Mas apesar de os juízes italianos terem acreditado na pista búlgara nunca obtiveram provas e o caso teve de ser encerrado.
O ex-lobo cinzento permanece como o único culpado. Condenado em julho de 1981 à prisão perpétua, teve de esperar 19 anos de um mês para obter a liberdade, apesar de ter reduzido a pena de 1.575 dias por boa conduta.


