Itália cobra solução para crise em cúpula europeia sobre migração
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quinta-feira, 28 de junho de 2018
France Presse 

Bruxelas - A Itália bloqueou nesta quinta-feira (28) a adoção de conclusões comuns sobre vários temas discutidos na primeira parte da cúpula europeia em andamento em Bruxelas, na Bélgica. "Nada está acordado até que tudo esteja acordado. [O primeiro-ministro italiano, Giuseppe] Conte se reservou à possibilidade de poder se pronunciar sobre tudo", explicou uma fonte do governo italiano, antes que os chefes de Estado iniciassem um jantar de trabalho para abordar o tema da migração. O encontro termina nesta sexta-feira (29).
Embora os 28 mandatários europeus já tivessem debatido sobre suas conclusões em matéria de defesa e comércio, um porta-voz do Conselho Europeu assegurou que um país do bloco, sem dizer qual, se pronunciará unicamente "sobre o conjunto das conclusões".
Os dirigentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e do Executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, cancelaram inclusive a tradicional coletiva de imprensa para comunicar os resultados da primeira sessão de trabalho e a propuseram na sexta-feira, ao fim do segundo dia de cúpula.
Conte, cujo governo populista fechou os portos nas últimas semanas barcos como o "Lifeline" e o "Aquarius" com migrantes socorridos no mar, já havia ameaçado vetar a declaração conjunta se não tiver "ações concretas" de seus sócios em suas demandas, como o compartilhamento dos migrantes.
Conte já advertiu que a Itália poderá vetar as conclusões da cúpula da UE (União Europeia), em caso de divergência, pedindo "atos" que materializem as "demonstrações de solidariedade" de seus sócios. "A Itália não precisa de mais palavras, mas de atos concretos. Chegou a hora e, desse ponto de vista, (...) estou disposto a agir de acordo com isso", se não houver resposta às demandas italianas, declarou Conte ao chegar à cúpula de dois dias em Bruxelas.
Uma fonte europeia informou que, depois que os italianos bloquearam o primeiro pacote de conclusões sobre o comércio, "houve uma discussão muito acalorada e todo mundo pressionou o italiano".
'CENTROS CONTROLADOS'
Três anos depois da maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, a acolhida dos imigrantes continua colocando os 28 países da UE em disputa, apesar de sua vontade de darem, unidos, um novo impulso ao bloco frente à saída do Reino Unido em março do ano que vem.
A Alemanha também simboliza a crise política vinculada à migração. A outrora influente chanceler Angela Merkel enfrenta a ameaça de seu ministro do Interior de impedir, de maneira unilateral, a entrada de solicitantes de asilo procedentes de outros países da UE.
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu assim "solidariedade" com demais países, "especialmente com a Alemanha, que está sofrendo uma crise política". "Falamos de um pacote completo ou de nada", disse a fonte do governo italiano.
As discussões giravam também sobre a criação de "centros controlados" na Europa, para onde seriam levados os migrantes resgatados no mar. Depois, seriam separados os que poderiam obter refúgio dos conhecidos como migrantes econômicos, que seriam devolvidos aos seus países.


