Jerusalém- No último dia de campanha eleitoral, os partidos políticos israelenses usaram suas últimas fichas para convencer os eleitores indecisos e aqueles que estão desmotivados em participar amanhã das legislativas.
  Prevendo a alta abstenção, o primeiro-ministro interino, Ehud Olmert, tirou a última carta da manga ontem e recordou o legado de seu antecessor Ariel Sharon, em coma desde janeiro, durante a última reunião de governo antes das eleições legislativas desta terça-feira.
  ‘‘Não há dúvida de que o espírito de Ariel Sharon e seu legado continuarão sendo os fundamentos da vida política israelense nos próximos anos’’, disse Olmert, favorito para as
eleições.
  Ariel Sharon, de 78 anos, sofreu uma grave hemorragia cerebral no início de janeiro. As esperanças de que se recupere são mínimas e seu desaparecimento do cenário político tirou interesse das eleições entre os israelenses, que podem registrar uma taxa recorde de
abstenção.
  Em seu empenho de seguir adiante no caminho aberto por Sharon, que desmantelou as colônias da Faixa de Gaza em 2005, Olmert propõe uma separação unilateral com os
palestinos.
  O líder político deseja fixar as fronteiras permanentes do Estado de Israel, desmantelar parte das colônias da Cisjordânia e transformar o muro de separação numa linha de demarcação estável com os palestinos.
  Olmert acredita que a segurança será maior quando os israelenses se retirarem das regiões onde há maioria palestina e que não são vitais para seus interesses.
  De forma alguma o projeto pretende voltar às fronteiras de 1967, já que Israel pretende conservar as colônias de Maale Adumim, a grande colônia nos arredores de Jerusalém, o bloco de Gush Etzion e uma zona de segurança no Vale do Rio Jordão.
  Segundo Olmert, Israel vai traçar suas fronteiras depois de consultar, de forma interna, os Estados Unidos, mas sem levar em conta necessariamente a opinião dos palestinos, anunciou ontem o primeiro-ministro interino.
  ‘‘Devemos decidir nossas fronteiras para nos separar dos palestinos’’, reafirmou o líder do Partido Kadima (centro) à radio local, no fechamento da campanha eleitoral para as eleições de terça-feira.
  O atual primeiro-ministro disse que seu plano deseja mostrar que ‘‘de forma alguma os israelenses serão reféns da vontade dos palestinos’’.
  Olmert prevê uma retirada unilateral das regiões onde há maioria palestina, ou seja, de uma parte das colônias da Cisjordânia, onde vivem 250.000 colonos em 130 assentamentos.
  Ontem, a polícia pôs em prática um impressionante dispositivo de segurança em todo o território israelense por medo de atentados.
  O partido Kadima (centro), liderado por Olmert, seguia como o favorito para vencer as eleições, onde deve obter 36 das 120 cadeiras do Parlamento, segundo as pesquisas divulgadas na noite de ontem, último dia da campanha.

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