Israelenses suspendem combustíveis para palestinos
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quarta-feira, 10 de maio de 2006
Folhapress 
São Paulo - Um dia depois de o Quarteto para o Oriente Médio ter decidido criar um mecanismo de transferência de fundos para aliviar a crise financeira da Autoridade Nacional Palestina (ANP), a empresa israelense que abastece com combustível os territórios de Gaza e da Cisjordânia decidiu ontem suspender o envio do produto em razão da crescente dívida palestina, informaram autoridades israelenses e palestinas.
Os postos de gasolina palestinos começaram a fechar e os motoristas formavam filas em bombas de combustível após a medida da companhia israelense Dor Energy aumentando a possibilidade de uma crise humanitária nos territórios.
O fim das reservas de gasolina pode afetar hospitais, impedir a entrega de alimentos e impossibilitar o transporte de palestinos até seus postos de trabalho um cenário grave para uma economia já abalada por sanções de Israel e da comunidade internacional.
A Dor Energy única empresa a suprir os territórios palestinos com combustíveis desde meados da década de 1990 justificou a decisão em razão das pendências financeiras do governo palestino para com a empresa.
Mujahid Salame, chefe da autoridade palestina responsável pelo setor de petróleo, previu que as reservas de combustível devem acabar em muitas áreas até hoje.
Ontem, pela primeira vez um representante do governo israelense deu um prazo para que o governo palestino liderado pelo movimento islâmico radical Hamas prove que está disposto a alcançar um acordo de paz. O ministro da Justiça de Israel, Haim Ramon, afirmou ontem que o seu governo irá aguardar até o final deste ano para que os palestinos mostrem se estão dispostos a renunciar à violência e a reconhecer o Estado hebreu.
Se ficar claro até o final deste ano que nós realmente não temos um parceiro (para negociar), e se a comunidade internacional estiver também convencida disso, então pegaremos o nosso destino em nossas mãos e não deixaremos nosso destino nas mãos de nossos inimigos, afirmou Ramon para a rádio do Exército.
O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, do partido Fatah, tentou persuadir Israel a passar por cima do Hamas e desenvolver conversações com ele, mas o premiê israelense, Ehud Olmert, explicou que não negociaria com Abbas se o Hamas não renunciasse à violência e reconhecesse Israel.
Olmert, uma das principais figuras por trás da retirada israelense da faixa de Gaza no ano passado, afirmou que pretende acabar com os assentamentos judaicos em áreas densamente ocupadas por palestinos.
Líderes do Hamas e do Fatah selaram ontem um acordo de cessar-fogo para acabar com os confrontos entre seus seguidores, que já mataram três pessoas e feriram outras 25.


