A classe política israelense se preparava ontem para uma eleição legislativa antecipada, enquanto a oposição tentava derrubar o governo do trabalhista Ehud Barak, antes de um eventual acordo com os palestinos.
O dirigente do Partido Trabalhista (no poder), Uzi Baram, disse ontem à rádio que esperava a celebração de ‘‘eleições na primavera’’, dois anos antes do fim da legislatura, acrescentando que esperava que ‘‘até lá (o primeiro-ministro Ehud) Barak conclua um acordo de paz’’.
O ministro da Justiça, Yossi Beilin, deveria viajar ontem aos Estados Unidos para tentar relançar, junto com os dirigentes norte-americanos, as conversações de paz.
Barak começou a distribuir as pastas vagas desde a retirada de três partidos de direita de sua coalizão, entre eles o ultra-ortodoxo Shass. O secretário do Partido Trabalhista, Raanan Cohen, que ultimamente não tem ocultado críticas a Barak, declarou ontem ter aceito o posto de vice-ministro de Trabalho e Assuntos Sociais.
Barak ficou com a pasta das Relações Exteriores, após a saída do ministro Davy Levy, em 2 de agosto, e se apressou a substituir por homens de confiança os antigos titulares de vários cargos diplomáticos.
‘‘As últimas manobras de Barak indicam que por enquanto ele exclui a reintegração do Shass em sua coalizão e que Levy já não é bem-vindo na coalizão ‘Israel Único’’’, formado pela esquerda após as eleições de maio de 1999, afirmou o comentarista político Hanan Crystal à rádio israelense.
O líder do Likud (partido da oposição de direita, com 19 deputados), Ariel Sharon, multiplicou seus contatos para derrubar o governo, sem esperar o final do recesso parlamentar de verão.
O primeiro-ministro prometeu submeter qualquer acordo de paz a um referendo popular, mas também pode utilizá-lo como argumento eleitoral para garantir a vitória nas urnas.

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