O líder linha-dura da oposição Ariel Sharon parecia ontem certo de conseguir uma retumbante vitória política, com as pesquisas dando a ele uma vantagem de 20 pontos percentuais sobre o moderado primeiro-ministro Ehud Barak na véspera da eleição de Israel, que se realiza hoje e que é considerada um referendo sobre como os israelenses vêem sua relação com os palestinos.
Barak advertiu que Sharon jogaria Israel numa guerra contra seus vizinhos, mas muitos eleitores, cansados do levante palestino contra Israel, agora em seu quinto mês, pareciam ou apáticos ou hipnotizados pelas promessas de Sharon de paz com segurança.
As urnas serão abertas às 7 horas da manhã e fechadas às 22 horas (17 horas de Brasília), quando as duas maiores redes de tevê pretendem anunciar projeções dos resultados baseadas num universo de 50.000 eleitores.
A violência voltou a explodir nas últimas horas da campanha eleitoral. Um soldado israelense foi morto num tiroteio com palestinos nas proximidades do posto de cruzamento de Rafah, entre Gaza e Egito. Em resposta, Israel fechou o aeroporto internacional palestino em Gaza e o entroncamento de Rafah. Um tiroteio também foi registrado na cidade de Hebron, na Cisjordânia.
Militantes islâmicos ameaçaram promover atentados à bomba em Tel Aviv, e Marwan Barghouti, líder do movimento Fatah, do presidente Yasser Arafat, disse que hoje será um ‘‘dia de ira’’, com grandes manifestações contra Israel.
‘‘A mensagem que queremos enviar à sociedade israelense é que o levante vai continuar, não importando quem seja o primeiro-ministro de Israel’’, adiantou Barghouti.
Desde que o levante palestino teve início em 28 de setembro, quando Sharon visitou um disputado local de Jerusalém sagrado para muçulmanos e judeus, 384 pessoas já foram mortas – 323 palestinos, 13 árabes-israelenses, 47 israelenses e um médico alemão.
Pesquisas publicadas ontem mostram Sharon mantendo a dianteira. Uma enquete do Gallup publicada no jornal Maariv coloca Sharon com 55% das intenções de voto, contra apenas 36% de Barak. A margem de erro é de 2,3 pontos.
A Autoridade Palestina garantiu que trabalhará ao lado de quem quer que se eleja primeiro-ministro e continua comprometida com a resolução do conflito com Israel por meio de negociações de paz.
No entanto, alguns funcionários da administração palestina comentavam que uma vitória de Sharon representaria um desastre para os esforços de paz.
‘‘Temos de nos preparar para o pior’’, disse Yasser Abed Rabbo, um dos negociadores palestinos. ‘‘Acredito que ele (Sharon) tentará criar mais fatos em campo. Isso levará a explosões e confrontos.’’
A militante Jihad Islâmica alertou que continuará promovendo ataques contra o Estado judeu, depois de o Exército israelense ter assassinado um de seus membros. Shadi Khalout, que transportava cerca de 20 quilos de explosivos, foi morto no sábado quando tentava passar de Israel para a Faixa de Gaza.
O vencedor do pleito terá 45 dias para formar uma coalizão de maioria no fracionado parlamento israelense.

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