A violência diminuiu ontem na Faixa de Gaza e Cisjordânia, em um reflexo das promessas de Israel de que relaxará as restrições de viagens para cerca de 130 mil palestinos que foram impedidos de comparecer a seus trabalhos no território judeu. Mesmo assim, vinte e nove palestinos e três soldados israelenses ficaram feridos em enfrentamentos no final da tradicional oração muçulmana de sexta-feira, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, segundo fontes palestinas e israelenses.
Na Cisjordânia, uma centena de palestinos armados com pedras enfrentaram soldados israelenses numa barreira militar perto de El Bire, depois de uma marcha de mil pessoas desde o centro de Ramallah, segundo testemunhas. Fontes médicas palestinas informaram que dez manifestantes ficaram feridos a balas.
Cerca de sessenta palestinos participaram de uma passeata semelhante na cidadezinha de Al Khader, perto de Belém, e jogaram coquetéis molotov contra soldados, que responderam disparando balas de borracha e obuses, deixando quatro feridos. Por sua vez, o exército israelenses informou que aconteceu uma ‘‘explosão’’ em Al Khader, ferindo três de seus homens.
Em Nablus, 1.500 pessoas das Forças Nacionais e Islâmicas participaram de uma marcha, durante a qual exibiram cartazes contra a cooperação sobre segurança (com Israel), e queimaram fotografias do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, aos gritos de ‘‘queremos operações (militares) no coração dos assentamentos’’. Na cidade de Gaza, centenas de militantes do movimento palestino Jihad Islâmico saíram em manifestação pedindo ‘‘vingança para todos os mártires’’.
Ainda ontem, autoridades palestinas acusaram Israel de uma tentativa de assassinato contra Nasser Abu Humaid, um importante dirigente do movimento Fatah, o grupo do líder Yasser Arafat. O exército de Israel negou qualquer envolvimento na suposta tentativa de atentado e Raanan Gissin, um assessor do primeiro-ministro Ariel Sharon, disse que as acusações palestinas ‘‘não merecem resposta’’.
Desde que a atual onda de violência teve início, em 28 de setembro do ano passado, Israel atacou e matou pelo menos 15 ativistas palestinos, segundo membros da Autoridade Palestina. O governo israelense admitiu envolvimento em alguns dos ataques e recusou-se a fazer comentários sobre outros.
Na Cisjordânia, uma multidão participou do funeral de Shoukat Alami, de 14 anos, morto a balas por soldados israelenses. Fontes palestinas disseram que o ataque foi gratuito, mas autoridades militares israelenses disseram que os soldados atiraram em alguém que tentava jogar uma bomba incendiária contra um ônibus com passageiros civis, levando a um tiroteio no local. Pelo menos 470 pessoas foram mortas desde o início do conflito na Cisjordânia e em Gaza, incluindo 386 palestinos.

mockup