Israelenses e palestinos estréiam governos
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terça-feira, 11 de janeiro de 2005
Beatriz Lecumberri<br>France Presse 
Ramallah, Cisjordânia- O destino quis que tanto a política israelense quanto a palestina mudassem de rumo no dia 10 de janeiro de 2005, quando entrou em funções um novo governo israelense de união nacional e um dia depois de Mahmud Abbas ter sido eleito o sucessor de Yasser Arafat na presidência da Autoridade Palestina, dois fatos que propiciam uma grande oportunidade de diálogo.
''O acaso quis provocar uma situação de esperança. A vontade política dos dirigentes israelenses e de Abbas é grande, e acredito que ambas as partes estão dispostas a conversar'', declarou o embaixador colombiano na Itália e integrante da missão de observação das eleições palestinas de domingo, Fabio Valencia.
Os resultados oficiais divulgados ontem confirmaram a avassaladora vitória de Abbas, também conhecido como Abu Mazen, com 62,32% dos votos (ver texto abaixo). O experiente político, um dos instigadores dos acordos de Oslo de 1993, se tornou assim o sucessor de Arafat, e o homem que deseja restaurar o diálogo com o Estado hebreu.
Do outro lado da mesa de negociações, o governo israelense também muda de rumo, e reassume um rosto mais moderado com a entrada dos trabalhistas no gabinete de união nacional do primeiro-ministro Ariel Sharon.
O novo governo foi apresentado ontem ao Parlamento e aprovado por uma pequena diferença de votos (58 deputados votaram a favor, 56 contra e seis se abstiveram). Desta forma, o líder trabalhista Shimon Peres assume o cargo de segundo primeiro-ministro. Peres, que já negociou com Abu Mazen no passado, afirmou que com sua vitória se abria ''um novo processo''.
''Abbas é um parceiro intransigente, mas também um homem inteligente, moderado e experiente. Ele foi eleito por grande maioria dos palestinos, e devemos dar-lhe a oportunidade de triunfar'', frisou Peres, que ligou pessoalmente a Abbas para cumprimentá-lo por sua vitória.
O Likud, partido de direita de Sharon, os trabalhistas e um partido ultraortodoxo se uniram para formar este novo governo, e somaram juntos 66 das 120 cadeiras do Parlamento, ou seja, a maioria absoluta necessária para progredir na aplicação das principais reformas, entre elas a retirada das colônias da Faixa de Gaza, prevista para este ano.
O Alto Representante da União Européia para a Política Externa, Javier Solana, que esteve em Ramallah para supervisionar as eleições, expressou sua confiança em que o novo gabinete israelense de união nacional reconheça a ''legitimidade'' das autoridades palestinas e inicie ''um processo de aproximação que leve a uma negociação final de paz''.
No passado, os dirigentes israelenses alegavam que Arafat carecia de legitimidade, e que ele não era um interlocutor válido para conduzir diálogos de paz.
No entanto, com o novo governo palestino, já não há mais desculpas para bloquear as negociações. ''O governo israelense não poderá negar eternamente a respeitabilidade internacional de Abbas'', e deverá dar ''o primeiro passo'' nas negociações, avisou o ex-primeiro-ministro francês Michel Rocard, líder da missão de observadores em Ramallah.


