Jerusalém - O governo israelense deu seu aval, ontem, para transferir aos palestinos os 600 milhões de dólares que lhes deve para fortalecer o presidente Mahmud Abbas perante os islamitas do Hamas, na véspera da cúpula de Sharm el Sheikh, no Egito.
No entanto, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou não ser partidário de relançar o processo de paz até que o novo governo de emergência palestino se ''estabilize''.
O primeiro-ministro palestino destituído, Ismail Haniyeh, do Hamas, reagiu ao anúncio israelense afirmando que ''o desbloqueio dos fundos é um direito de todos os palestinos''.
Olmert e Abbas participarão hoje da cúpula de Sharm el Sheikh, no Mar Vermelho, ao lado do presidente egípcio, Hosni Mubakar, e do rei Abdullah II, da Jordânia.
O objetivo desta cúpula é ajudar Abbas e o governo de emergência chefiado pelo independente Salam Fayada, instalado após a tomada à força da Faixa de Gaza pelo Hamas, em 15 de junho.
Os fundos retidos por Israel, no valor de 600 milhões de dólares, provêm dos impostos e das taxas alfandegárias cobrados sobre produtos destinados aos palestinos que passam por Israel.
O governo israelense congelou estes fundos após a vitória do Hamas nas eleições legislativas de janeiro de 2006. O movimento islamita é considerado terrorista por Israel, União Européia (UE) e Estados Unidos.
Devido a essa sanção e à suspensão da ajuda direta ao governo palestino, decretada pela UE e pelos Estados Unidos, seus funcionários só receberam uma parte de seus salários e, com importantes atrasos, nos últimos meses.
Olmert afirmou ontem, no início do conselho de ministros israelense, que Israel ''apresentará, durante a cúpula, suas exigências em matéria de segurança e de guerra contra o terrorismo'' e confirmará sua disposição de ''cooperar com o novo governo (palestino)''.
De acordo com meios israelenses, Olmert estudaria, num gesto de boa vontade, a suspensão parcial dos cerca de 500 postos de controle que o exército israelense mantém nas vias da Cisjordânia.
O chefe dos serviços secretos palestinos, Tawfiq al-Tirawi, por sua vez, acusou ontem o Irã de ter desempenhado ''um grande papel'' na tomada da Faixa de Gaza pelo Hamas, em declaração à imprensa em Ramallah (Cisjordânia).
Em Teerã, o porta-voz da diplomacia iraniana, Mohamed Ali Hosseini, desmentiu esta acusação.

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