JerusalémIsrael se prepara para um possível ataque iraquiano ou palestino com a distribuição de comprimidos antiradiação, vacinações contra a varíola, simulações para um possível atentado contra um arranha-céu e treinamento contra mísseis Scud. Enquanto a tensão aumenta entre Estados Unidos e Iraque, Israel se dispõe a enfrentar uma contra-ofensiva potencial do Iraque sobre seu território, mobilizando sobretudo baterias anti-mísseis para interceptar os Scud.
Israel teme que se os norte-americanos atacarem o Iraque, esse país resolva retaliar contra seu território, como já aconteceu durante a Guerra do Golfo em 1991. Fontes militares indicaram que sistemas de baterias anti-mísseis foram mobilizados ao longo do mês de agosto perto de Tel Aviv. Depis da Guerra do Golfo, Israel desenvolveu, com a ajuda dos EUA, o sistema anti-mísseis Flecha que lhe permite utilizar seus próprios mísseis contra os Scud.
Mas os iraelenses temem que o presidente iraquiano Saddam Hussein tenha desenvolvido armas não convencionais que, segundo os inspetores das Nações Unidas, poderiam ''destruir completamente Tel Aviv''.
Washington aumenta a pressão sobre o Iraque, e o gabinete de segurança de Israel decidiu na quarta-feira iniciar uma campanha de vacinação contra a varíola, primeira etapa de uma operação que prevê vacinar quase 15.000 integrantes das equipes de socorro e policiais. Segundo um porta-voz do ministério da Saúde, as autoridades pretendiam vacinar todos os israelenses. Há uma semana, Israel decidiu acrescentar comprimidos de iodo nas caixas de primeiros-socorros distribuídas entre o público para combater os efeitos das radiações.
Israel também se preparou para reagir a um possível ''ataque silencioso'', ou seja, para o caso de um camicase se infectar com o vírus da varíola e se misturar à multidão.
''Isso seria mais problemático porque não saberíamos que houve um ataque antes de pelo menos dois dias, mas já tomamos as precauções'', explicou Iddo Hadari, porta-voz do ministério da Saúde.
Separação unilateralO Conselho de Segurança Nacional israelense defendeu uma ''separação unilateral'' entre Israel e os palestinos em seu primeiro informe, destacou ontem esse organismo encarregado de avaliar as opções estratégicas do Estado judeu. O Conselho, que é integrado por oficiais de alta patente e dirigentes econômicos, propôs que Israel ''fixe unilateralmente'' sua fronteira com a entidade palestina, a falta de um acordo previsível com a Autoridade Palestina.
No informe, chamado ''avaliação da situação da segurança 2002'', o Conselho estima que Israel terá que escolher entre três possibiliddes durante os próximos anos.
- A criação de um Estado palestino ao lado de Israel, por mútuo consentimiento.
- Anexação dos territórios palestinos.
- Separação unilateral decidida por Israel, sem acordo.
O documento favorece a terceira opção. Não esboça as linhas das futuras fronteiras mas destaca que Israel deverá levar em conta ''a segurança e a demografia'', ou seja, deverá ''manter posições estratégicas nos territorios palestinos'' e assim seria evitado o aumento da minoria árabe, o que seria inevitável se os territórios forem anexados.

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