Israel retira-se de reunião após a morte de soldado no Líbano
Zeina Karam
Associated Press
De Beirute
Sem se intimidar com as ameaças israelenses de severas represálias, o grupo guerrilheiro libanês Hezbolá matou ontem mais um soldado de Israel no sul do Líbano o sétimo em menos de três semanas.
Em resposta, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, determinou a retirada de sua delegação de um comitê internacional que estava prestes a iniciar uma reunião no sul do Líbano para tentar reduzir a tensão, e anunciou que o Estado judeu responderá no momento adequado, com ataques muito duros no Líbano.
Ele reiterou, entretanto, a promessa de retirar suas tropas do país vizinho até julho. Dentro de quatro meses e meio, estou determinado a pôr fim a esta tragédia no Líbano, que já dura 18 anos, e a trazer os garotos de volta para casa, para a fronteira internacional. Israel ocupa o sul do Líbano desde sua desastrosa invasão do país em 1982.
O soldado Zachi Yitachi, de 19 anos, foi morto por volta do meio-dia local num ataque com mísseis contra um posto militar israelense perto do Castelo Beaufort. Outros dois soldados ficaram feridos, um deles gravemente, informou o Exército. O ataque foi lançado um dia depois que o governo israelense ameaçou responder à morte de militares pelos guerrilheiros com mais ataques contra alvos civis no Líbano.
Terça-feira, a aviação israelense feriu 15 civis e destruiu três centrais elétricas no país vizinho, entre elas a que abastecia Beirute, forçando o início de um rígido racionamento. Os danos foram estimados em US$ 50 milhões.
Temendo novos ataques israelenses contra alvos civis, o Líbano apelou às intervenções de Estados Unidos e França. A retomada da violência ontem ocorreu enquanto delegados do Grupo de Monitoração internacional desembarcavam na cidade fronteiriça sulista libanesa de Naqoura a fim de discutir como conter a escalada. Não foi reprogramado um novo encontro.
Israel concordara anteontem em participar do encontro depois da intervenção diplomática dos Estados Unidos. O Grupo de Monitoração nasceu a partir do entendimento de abril de 1996, mediado pelos EUA, entre Israel e o Hezbolá que proíbe ataques contra ou de áreas civis.
Os recentes combates minaram consideravelmente as chances de uma retomada das conversações de paz entre Israel e Síria, suspensas indefinidamente no mês passado. Israel tem exigido que a Síria, a potência com maior influência no Líbano, contenha as guerrilhas do Hezbolá.
Ontem, em Washington, o Departamento de Estado americano acusou a Síria de não usar sua influência sobre o Hezbolá para deter os ataques contra israelenses no sul do Líbano. O porta-voz James P. Rubin também criticou duramente o Hezbolá, dizendo que seus ataques de ontem foram uma tentativa deliberada... de destroçar as perspectivas de paz na região.





