Israel retira as forças do campo de refugiados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Tropas israelenses se retiraram ontem de dois bairros do campo de refugiados de Rafah, no sul da faixa de Gaza, mas o Exército, que cerca a área desde o início da semana, disse que estava reorganizando suas forças para dar seguimento à ofensiva na região, situada na fronteira com o Egito.
Pelo menos 40 palestinos civis e armados morreram em Rafah nos últimos três dias. Na semana passada, 13 soldados israelenses morreram em Gaza (sete em Rafah). ''Estamos reorganizando nossas forças e permitindo que os moradores façam estoque de comida'', disse a porta-voz do Exército Sharon Feingold. Segundo ela, dezenas de palestinos suspeitos de envolvimento com o terror teriam sido detidos nos últimos dias.
Funcionários da ONU entraram nos bairros mais atingidos para distribuir comida e água potável. Segundo autoridades locais, pelo menos 43 casas teriam sido demolidas e dezenas danificadas no acampamento de Rafah, onde vivem cerca de 90 mil pessoas.
Dezenas de carros foram esmagados, e também houve danos à infra-estrutura elétrica e corte no fornecimento de água. ''Eu mal reconheço minha rua'', disse Abdel Rahim Abu Jazer, 42. ''Acho que um terremoto não faria o que o Exército israelense fez''.
Segundo o Exército, apenas cinco casas foram demolidas porque serviriam de esconderijo para terroristas. ''Prédios são destruídos apenas para proteger nossas tropas'', disse o general Shmuel Zakai, comandante israelense. Segundo Israel, a ação em Gaza visa destruir supostos túneis subterrâneos ligando o acampamento ao Egito, cuja fronteira é bem próxima.
Segundo o chefe do Exército, general Moshe Yaalon, apenas um túnel teria sido localizado durante a atual ofensiva em Rafah. Israel afirma ter destruído 90 túneis desde 2000, quando começou a Intifada (levante palestino). Israel diz temer que mísseis de médio alcance entrem em Gaza, ameaçando as cidades do país. Centenas de pacifistas israelenses entraram em conflito com a polícia num posto militar entre Gaza e Israel. ''Paz sim, confrontação não'', gritavam eles.


