Israel quer oferecer um Estado aos palestinos
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domingo, 23 de setembro de 2001
Associated Press<br> De Jerusalém 
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, levantou ontem um tópico raramente abordado por ele durante décadas como uma figura pública - a possibilidade de um Estado palestino.
Em um discurso proferido ontem, Sharon afirmou que Israel deseja dar aos palestinos a oportunidade de formarem um Estado, mas que para isso seria necessária uma genuína paz entre os dois lados.
''Não estamos lutando contra os palestinos, nós estamos lutando contra o terror'', afirmou Sharon em um discurso a professores no centro de Israel.
''Israel quer dar aos palestinos o que ninguém nunca deu a eles antes, a possibilidade de formarem um Estado'', disse. ''Tudo o que Israel pede, e (o líder palestino Yasser) Arafat prometeu, é para que cessem o terror, que vivamos em paz, em tranquilidade. Arafat prometeu isso'', completou Sharon.
Cancelamento No entanto, Israel cancelou ontem as conversações com Yasser Arafat sobre uma trégua bilateral e demandou ao presidente palestino que conclua totalmente um cessar-fogo anunciado na semana passada.
O ministro do gabinete palestino, Yasser Abed Rabbo, classificou a decisão de ''irresponsável'' e se queixou do fato de os palestinos nem sequer terem sido informados oficialmente da decisão israelense.
No entanto, outros funcionários palestinos, que pediram para não serem identificados, informaram, sem dar maiores detalhes, que Arafat e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, iriam se reunir ontem.
Por sua parte, Raanan Guissin, porta-voz do primeiro-ministro Ariel Sharon, afirmou que ''algo de espetacular teria que ocorrer da parte de Arafat'' para que o encontro ocorresse ontem.
O escritório de Peres se recusou a emitir qualquer comentário. Informou-se que o chanceler, arquiteto do processo de paz, não compareceu à sessão de ontem do gabinete israelense em protesto, e meios de comunicação israelenses informaram que Peres pretende retirar o seu Partido Trabalhista do governo de unidade de Sharon.
O gabinete está dividido em torno da questão se Arafat cumpriu a promessa que fez na semana passada de tentar deter a violência, que em um ano já cobrou mais de 800 vidas, a grande maioria de palestinos.
O secretário de gabinete, Guideon Saar, disse que Sharon sentiu que uma reunião de alto nível com Arafat não seria apropriada agora porque a violência palestina continua e, portanto, ''a reunião legitimaria certos tipos de terrorismo''
Saar disse também que os palestinos prenderam e libertaram em seguida Atef Abayyat, um líder da milícia Tanzim, sobre a qual recaiu a responsabilidade do tiroteio no qual uma mulher judia morreu ontem em frente a seus filhos.
Guissin disse que Israel exige agora a prisão de Abayyat, assim como outras medidas significativas contra a violência, antes de que se realize qualquer reunião entre os dois líderes.
Saar afirmou que a violência continua, no entanto com menor intensidade, e que Israel exige um cessar-fogo total.
Desde os atentados em Nova York e Washington, no último dia 11, os Estados Unidos vêm pressionando ambas as partes para que solucionem seu conflito, já que desejam formar uma coalizão contra o terrorismo internacional.
O ministro palestino do Planejamento, Nabil Shaath, disse que agora os israelenses devem explicar ''por que estão desperdiçando uma oportunidade atrás da outra de regressar ao caminho da paz''.


