France PresseBenjamin Netanyahu joga pesadoIsrael anunciou ontem que quer anexar uma extensa área não contínua da Cisjordânia caso conclua um acordo final com a Autoridade Palestina (AP), um dia depois de condicionar qualquer nova devolução de terras ao cumprimento de uma série de rigorosas ‘‘obrigações’’ pelos palestinos.
‘‘Não estamos pedindo a Lua’’, reagiu o presidente da AP, Yasser Arafat, que visitava Hebron. ‘‘Estamos pedindo o que foi assinado na Casa Branca com o aval do presidente Clinton’’. Para ele, a decisão do governo israelense ‘‘é uma violação dos acordos’’.
Com a decisão de não se retirar de oito ‘‘áreas de segurança vitais’’, listadas mas não indicadas fisicamente num mapa, Israel está deixando a AP a opção de criar um estado-arquipélago, com várias ilhas que não se conectariam diretamente.
A ministra da Educação da AP, Hanan Hashrawi, concluiu: ‘‘O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está fazendo todo o possível para destruir o processo de paz’’. Mas ela desmentiu rumores de que o presidente Arafat estivesse desistindo da reunião do dia 22 na Casa Branca, dois dias depois que o presidente Bill Clinton receber as propostas israelenses.
Depois de decidir as condições para uma nova retirada e de onde não quer se retirar da Cisjordânia, o governo israelense vai se reunir hoje para debater de onde e de quanto poderá retirar-se. A área tem variado de 6% a 10% na imprensa de Israel. A AP esperava 30%. A Casa Branca pediu uma ‘‘retirada significativa’’. Os israelenses já devolveram 27% dos territórios que conquistaram na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O comunicado do governo com as áreas anexáveis começa com o esclarecimento de que ‘‘Israel não apresentou novas condições em relação à retirada’’. A extradição de prisioneiros palestinos que mataram israelenses, a revisão da Carta Nacional Palestina, a redução da força policial da AP e o combate ao incitamento contra Israel na imprensa palestina, entre outras obrigações, ‘‘estão determinadas na Nota de Protocolo de 15 de janeiro de 1997, que acompanhou o acordo de Hebron’’.
O principal assessor de Netanyauh, um ex-editor do ‘‘Jerusalem Post’’, David Bar-Ilan, acha que a lista de áreas que Israel quer manter ‘‘é suficientemente vaga para dar espaço à negociação, em Washington’’. Mas o líder espiritual do Hamas, sheikh Ahmed Yasin, enterrou definitivamente os acordos de Oslo, ‘‘nascidos mortos’’, previu ‘‘perda de tempo’’ com as novas negociações , e conclamou à Jihad - a ‘‘guerra santa’’.

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