Israel quer anexar área na Cisjordânia
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Moisés Rabinovici Jerusalém 
France PresseBenjamin Netanyahu joga pesadoIsrael anunciou ontem que quer anexar uma extensa área não contínua da Cisjordânia caso conclua um acordo final com a Autoridade Palestina (AP), um dia depois de condicionar qualquer nova devolução de terras ao cumprimento de uma série de rigorosas obrigações pelos palestinos.
Não estamos pedindo a Lua, reagiu o presidente da AP, Yasser Arafat, que visitava Hebron. Estamos pedindo o que foi assinado na Casa Branca com o aval do presidente Clinton. Para ele, a decisão do governo israelense é uma violação dos acordos.
Com a decisão de não se retirar de oito áreas de segurança vitais, listadas mas não indicadas fisicamente num mapa, Israel está deixando a AP a opção de criar um estado-arquipélago, com várias ilhas que não se conectariam diretamente.
A ministra da Educação da AP, Hanan Hashrawi, concluiu: O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está fazendo todo o possível para destruir o processo de paz. Mas ela desmentiu rumores de que o presidente Arafat estivesse desistindo da reunião do dia 22 na Casa Branca, dois dias depois que o presidente Bill Clinton receber as propostas israelenses.
Depois de decidir as condições para uma nova retirada e de onde não quer se retirar da Cisjordânia, o governo israelense vai se reunir hoje para debater de onde e de quanto poderá retirar-se. A área tem variado de 6% a 10% na imprensa de Israel. A AP esperava 30%. A Casa Branca pediu uma retirada significativa. Os israelenses já devolveram 27% dos territórios que conquistaram na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O comunicado do governo com as áreas anexáveis começa com o esclarecimento de que Israel não apresentou novas condições em relação à retirada. A extradição de prisioneiros palestinos que mataram israelenses, a revisão da Carta Nacional Palestina, a redução da força policial da AP e o combate ao incitamento contra Israel na imprensa palestina, entre outras obrigações, estão determinadas na Nota de Protocolo de 15 de janeiro de 1997, que acompanhou o acordo de Hebron.
O principal assessor de Netanyauh, um ex-editor do Jerusalem Post, David Bar-Ilan, acha que a lista de áreas que Israel quer manter é suficientemente vaga para dar espaço à negociação, em Washington. Mas o líder espiritual do Hamas, sheikh Ahmed Yasin, enterrou definitivamente os acordos de Oslo, nascidos mortos, previu perda de tempo com as novas negociações , e conclamou à Jihad - a guerra santa.


