Gaza - Israel ameaçou atacar a Faixa de Gaza com ''mão-de-ferro'' enquanto continuarem os disparos de foguetes palestinos, advertiu ontem o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, num momento em que o Hamas assegurou, por sua vez, que ''está perto da vitória'' contra o Exército de Israel - afirmou o primeiro-ministro do movimento radical islâmico, Ismail Haniyeh, em discurso transmitido pela televisão.
''Queremos concluir a operação quando duas condições forem preenchidas: o fim dos tiros de foguetes e do rearmamento do Hamas'', afirmou Olmert durante visita ao sul de Israel, alvo dos tiros de foguetes.
''Estamos chegando perto da vitória. O sangue puro que foi derramado não foi derramado em vão, porque vai nos trazer a vitória, graças a Deus'', declarou Haniyeh em uma intervenção transmitida pelo canal de TV do Hamas no 17º dia da operação israelense, que já deixou mais de 900 mortos. ''Digo depois de 17 dias de uma guerra insana que Gaza não será quebrada, e não cairá'', acrescentou.
Segundo o chefe dos serviços de emergência em Gaza, Muawiya Hasanein, o conflito já fez pelo menos 917 palestinos mortos, entre eles 277 crianças, e mais de 4.100 feridos. Do lado israelense, três civis e 10 soldados foram mortos e mais de 150 ficaram feridos (exército).
Vinte e cinco palestinos teriam morrido ontem vítimas dos ataques das forças israelenses que combatem os ativistas do Hamas nos bairros periféricos da cidade de Gaza, segundo fontes médicas e testemunhas.
Tanques israelenses teriam avançado quase cem metros nos bairros de Ajline, Tuffah e Zeitun, enfrentando combatentes palestinos nos três eixos, segundo testemunhas.
Houve também confrontos armados no norte da Faixa de Gaza. Um porta-voz de Hamas havia repetido que o governo de Gaza rejeitava a mobilização de uma força internacional em território palestino como parte de um possível acordo de cessar-fogo, ao considerar esta opção como ''uma força de ocupação''.
Israel asegura que através da ofensiva causou um duro golpe ao Hamas matando mais de 550 combatentes e ferindo outros mil. ''O exército está fazendo em 16 dias o que outros países que lutam contra o terrorismo não puderam fazer em 16 anos'', afirmou o presidente de Israel, Shimon Peres, em visita a uma base militar.
Israel mobilizou ontem novos reservistas e adiou a visita de um alto funcionário ao Egito para discutir um cessar-fogo, segundo a imprensa israelense - uma medida interpretada como a introdução de uma ''terceira etapa'' na ofensiva, com ações no centro das cidades e nos campos de refugiados.
De acordo com os meios de comunicação, o governo hesitava em autorizar a ''terceira etapa'', no momento em que se intensificam os pedidos de cessar-fogo, incluindo o do Conselho de Segurança da ONU, que exigiu o fim das hostilidades em uma resolução aprovada semana passada.
A situação humanitária permanece trágica na Faixa de Gaza, onde um milhão de pessoas vivem sem energia elétrica, 750 mil carecem de água e os hospitais funcionam graças a geradores, segundo a ONU.

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