Israel prepara forças para luta longa
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terça-feira, 24 de outubro de 2000
France Presse De Jerusalém 
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak disse hoje em Kiryat Malachi, no Neguev, que é necessário, mais do que nunca, constituir um governo de emergência nacional, porque a luta contra os palestinos talvez dure um ano, podendo estender-se até a fronteira setentrional do país.
A frequência dos choques entre soldados israelenses e palestinos diminuiu ontem, mas a intifada nos territórios autônomos está destinada a durar muitos meses, talvez um ano, segundo as previsões do Estado Maior das Forças Armadas de Israel reveladas pela imprensa.
O exército israelense se preparava ontem para dar uma prova de força, em um momento de grande tensão em todos os territórios palestinos, onde acontecia ontem uma importante festa religiosa muçulmana.
O exército se preparou para uma luta prolongada com nossos vizinhos palestinos, pois os confrontos não terminarão de um dia para outro, afirmou à rádio militar o porta-voz do exército israelense, general Ron Kitrey.
Como o resto do mundo muçulmano, os palestinos comemoram ontem o dia em que o profeta Maomé viajou de Meca à mesquita Acsa de Jerusalém, onde subiu para os céus.
Um porta-voz do exército afirmou que à noite houve uma série de disparos contra colônias e posições militares na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Em Hebron (Sul da Cisjordânia), um palestino de 55 anos morreu e seus quatro filhos ficaram feridos na segunda-feira em virtude de um obus disparado pelo exército israelense. Este seria uma resposta a disparos feito por palestinos contra um bairro onde vivem centenas de colonos judeus, no centro da cidade.
Três ocupantes palestinos de um veículo também ficaram feridos, afirmou o porta-voz. Uma posição militar ao Sul da Faixa de Gaza, uma colônia judia e uma base de guardas fronteiriços foram alvos de disparos.
Uma posição militar ao Sul da Faixa de Gaza, uma colônia judia e uma base de guardas da fronteira foram alvos de disparos.
Em Jerusalém Oriental, próximo do museu Rockefeller, quatro guardas das fronteiras foram ligeiramente feridos quando um garrafa incendiária acertou seu veículo, segundo uma fonte policial.
Ao Sul de Jerusalém, a colônia judia de Gilo também foi alvo de disparos provenientes do povoado de Beit Jala, próximo de Belém.
O exército israelense disparou pelo menos um obus em represália contra Beit Jal, ferindo duas pessoas e provocando danos em duas casas.
Em uma reunião extraordinária na segunda-feira em Gaza, a direção palestina, na presença de Yasser Arafat, pediu a presença de uma força internacional nos territórios para deter a agressão militar israelense contra o povo palestino.
Cento e trinta e cinco pessoas (115 palestinos, 12 árabes israelenses, 7 israelenses judeus e um soldado druso do exército israelense) morreram desde o começo do levante palestino, no dia 28 de setembro. Os confrontos já deixaram pelo menos quatro mil feridos.
Cerca de 100 pessoas ficaram feridas quando uma passeata realizada por cerca de 10 mil manifestantes foi barrada pela polícia na fronteira da Jordânia com a Cisjordânia, controlada pelo exército de Israel. Os manifestantes, incluindo representantes de 13 partidos de oposição da Jordânia, congressistas e ativistas políticos, participavam da Marcha do Retorno e pretendiam atravessar a fronteira. O protesto visa chamar a atenção e insistir na volta dos direitos dos refugiados palestinos, árabes e muçulmanos, em Jerusalém, disse Saleh Armouti, um dos organizadores da passeata.
A condição dos refugiados palestinos e a situação de Jerusalém são dois dos temas mais conflitantes das discussões sobre paz entre Israel e Palestina, agora congeladas. Os palestinos querem que a região leste da cidade sagrada seja a capital de um futuro Estado da Palestina e defendem o retorno de milhões de palestinos que estão na Jordânia e em outros pontos para o território onde está Israel. Os manifestantes conclamaram o presidente do Iraque, Saddam Hussein, a atacar Israel.
Os participantes da marcha seguiam em direção da Ponte de Allenby, sobre o Rio Jordão, que separa o país da Cisjordânia. Usando balas de água e gás lacrimogêneo, a polícia impediu o avanço da marcha a 4 quilômetros da ponte. Segundo hospitais da região, pelo menos 15 policiais e 120 manifestantes ficaram feridos. Nas últimas semanas, árabes e simpatizantes da causa palestina têm condenado a violência praticada por Israel contra os palestinos.
Os tanques israelenses dispararam ontem à noite quatro obuses contra objetivos na cidade autônoma de Ramallah, Cisjordânia. Os blindados abriram fogo a partir da colônia de Psagot, nas imediações de Ramallah, que já tinha sido antes alvo de disparos feitos por palestinos com armas automáticas.
Os soldados israelenses também abriram fogo com metralhadoras de grosso calibre, produzindo um tiroteio entre eles e os palestinos. Segundo testemunhas havia ambulâncias do lado palestino.


