O governo israelense oscilava ontem entre o ‘‘alívio’’ proporcionado pelo conteúdo da resolução adotada no Cairo, durante a cúpula árabe, e a ira que inspira a ‘‘linguagem da ameaça’’ adotada, segundo ele, pelos países participantes.
A primeira reação do Estado Hebreu foi expressar um sentimento de ‘‘alívio’’, segundo as palavras utilizadas por um porta-voz governamental, Nachman Shai, uma vez que ‘‘não há ruptura de relações diplomáticas’’ do Egito e da Jordânia com Israel.
O Egito e a Jordânia são os dois únicos países árabes que assinaram acordos de paz com Israel, em 1979 e 1994, respectivamente.
A cúpula do Cairo responsabilizou a Israel pelos enfrentamentos nos territórios palestinos, cujo balanço é de cerca de 132 mortos, em sua imensa maioria palestinos, mas deixou que os países participantes decidam com absoluta liberdade as medidas a serem adotadas, evitando assim o pior para Israel.
A Tunísia foi o primeiro país árabe a decidir uma medida contra o Estado Hebreu, decidindo fechar seu escritório em Tel Aviv e o de Israel na Tunísia.
O ministério Israelense das Relações Exteriores declarou estar ‘‘decepcionado’’ e ‘‘surpreendido’’ por esta decisão.
Mas o essencial para Israel é que o Egito e a Jordânia não tenham cedido aos discursos radicais que conclamavam a uma ruptura total com Israel.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, rendeu uma fervorosa homenagem aos ‘‘esforços consideráveis’’ do presidente egípcio Hosni Mubarak para ‘‘manter um enfoque equilibrado’’ durante a cúpula.
Apesar de ser evidente o alívio em respeito aos temas de fundo, Israel criticou a linguagem empregada na declaração final.
‘‘Israel rechaça categoricamente a linguagem de ameaça utilizada durante a cúpula e condena as pregações a favor da continuação da violência’’, destacou um comunicado da presidência do Conselho.
A cúpula não questionou a decisão de Barak de decretar uma ‘‘pausa’’ no processo de paz, enquanto prossegue a violência nos territórios palestinos.
O governo afirmou que não haverá negociação com a Autoridade Palestina de Yasser Arafat durante essa ‘‘pausa’’, que Israel deve aproveitar para ‘‘reavaliar sua posição ’’.
Israel esperava, segundo o porta-voz, dos líderes árabes, ‘‘sobretudo do presidente Mubarak, que participou na semana passada da cúpula de Sharm el-Sheikh (Egito), um pedido aos palestinos para o fim dos enfrentamentos e a retomada de suas negociações com Israel’’.

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