Israel oscila entre a ira e o alívio
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de outubro de 2000
France Presse De Jerusalém Por Claire Snegaroff 
O governo israelense oscilava ontem entre o alívio proporcionado pelo conteúdo da resolução adotada no Cairo, durante a cúpula árabe, e a ira que inspira a linguagem da ameaça adotada, segundo ele, pelos países participantes.
A primeira reação do Estado Hebreu foi expressar um sentimento de alívio, segundo as palavras utilizadas por um porta-voz governamental, Nachman Shai, uma vez que não há ruptura de relações diplomáticas do Egito e da Jordânia com Israel.
O Egito e a Jordânia são os dois únicos países árabes que assinaram acordos de paz com Israel, em 1979 e 1994, respectivamente.
A cúpula do Cairo responsabilizou a Israel pelos enfrentamentos nos territórios palestinos, cujo balanço é de cerca de 132 mortos, em sua imensa maioria palestinos, mas deixou que os países participantes decidam com absoluta liberdade as medidas a serem adotadas, evitando assim o pior para Israel.
A Tunísia foi o primeiro país árabe a decidir uma medida contra o Estado Hebreu, decidindo fechar seu escritório em Tel Aviv e o de Israel na Tunísia.
O ministério Israelense das Relações Exteriores declarou estar decepcionado e surpreendido por esta decisão.
Mas o essencial para Israel é que o Egito e a Jordânia não tenham cedido aos discursos radicais que conclamavam a uma ruptura total com Israel.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, rendeu uma fervorosa homenagem aos esforços consideráveis do presidente egípcio Hosni Mubarak para manter um enfoque equilibrado durante a cúpula.
Apesar de ser evidente o alívio em respeito aos temas de fundo, Israel criticou a linguagem empregada na declaração final.
Israel rechaça categoricamente a linguagem de ameaça utilizada durante a cúpula e condena as pregações a favor da continuação da violência, destacou um comunicado da presidência do Conselho.
A cúpula não questionou a decisão de Barak de decretar uma pausa no processo de paz, enquanto prossegue a violência nos territórios palestinos.
O governo afirmou que não haverá negociação com a Autoridade Palestina de Yasser Arafat durante essa pausa, que Israel deve aproveitar para reavaliar sua posição .
Israel esperava, segundo o porta-voz, dos líderes árabes, sobretudo do presidente Mubarak, que participou na semana passada da cúpula de Sharm el-Sheikh (Egito), um pedido aos palestinos para o fim dos enfrentamentos e a retomada de suas negociações com Israel.


