Israel não pára com assentamentos
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Mark Lavie Associated Press De Jerusalém 
Apesar de sugestões de que o governo israelense estaria disposto a assumir compromissos na espinhosa questão dos assentamentos, o ministro da Habitação anunciou ontem que levaria em frente plano para a construção de centenas de novas casas em colônias na Cisjordânia.
Em persistente violência, três palestinos e três colonos judeus morreram enquanto oficiais israelenses e palestinos planejavam realizar conversações sobre segurança depois de uma nova rodada de mediação dos Estados Unidos.
Oficiais de segurança dos dois lados reuniram-se pela primeira vez em cerca de dois meses a pedido do novo enviado norte-americano para o Oriente Médio, o subsecretário de Estado William Burns.
O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse que as conversações serão promovidas em duas rodadas com chefes de segurança da Cisjordânia primeiro e com seu colegas da Faixa de Gaza, depois.
A reunião com os líderes cisjordanianos durou menos de duas horas, comentou Tawfik Tirawi, chefe do serviço de inteligência na Cisjordânia. De acordo com ele, não houve nenhum progresso. Israel exige o fim da violência, mas os palestinos alegam que estão agindo em defesa própria, prosseguiu Tirawi.
Encontros anteriores não levaram à restauração da cooperação de segurança que existia depois que a Autoridade Palestina, de Yasser Arafat, foi estabelecida em 1994, visando evitar ataques por parte de extremistas palestinos contra israelenses. A cooperação acabou quando a atual onda de violência explodiu há oito meses.
Agora, Israel afirma que a AP está diretamente envolvida nos ataques, e que, ao libertar militantes de prisões, tem sua parcela de responsabilidade nos ataques suicidas à bomba e outros que têm infernizado os israelenses nos últimos meses.
Os palestinos culpam Israel pela violência e têm expressado pouca esperança de que as conversações possam gerar frutos, a menos que nelas sejam também tratadas as disputas políticas.
Burns pressiona os dois lados para começarem a implementar o relatório de uma comissão internacional encabeçada pelo ex-senador norte-americano George Mitchell, que pede o fim da violência a ser seguido por medidas de criação de confiança, incluindo um total congelamento de construção em assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados.
Israel anunciou que aceitava o relatório, apesar de no passado o primeiro-ministro Ariel Sharon ter-se oposto a um congelamento total nas colônias, dizendo que as comunidades tinham de se expandir em vista de seu crescimento natural.
Planos para expandir dois grandes assentamentos continuam intactos. Ontem, o ministro israelense da Habitação, Natan Sharansky, disse à Rádio de Israel que havia aprovado a abertura de concorrência para a construção de 496 novas unidades habitacionais em Maale Adumin, nos arredores de Jerusalém, e 217 unidades em Alfei Menashe, nas proximidades de Tel Aviv.
Os dois assentamentos são subúrbios de grandes cidades e têm poucas casas vagas, ao contrário de colônias menores no interior da Cisjordânia onde, segundo grupos pacifistas israelenses, existem milhares de unidades vazias.


