Israel não entrega parte de Jerusalém
O premier israelense, Ehud Barak, declarou ontem que não assinará um acordo de paz que inclua a soberania palestina na Esplanada das Mesquitas, que abriga o terceiro lugar santo do Islã. Não tenho a intenção de firmar um documento que preveja uma transferência de soberania sobre o Monte do Templo (nome dado pelos judeus à Esplanada), que está no coração de nossa identidade, aos palestinos, disse Barak na televisão israelense. Barak fez referência ao Templo judeu, destruido no ano 70 pelo império romano, do qual ainda existe um muro de sustentação, o Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.
O plano de paz proposto às duas partes pelo presidente americano, Bill Clinton, prevê especialmente, segundo a imprensa israelense, uma soberania palestina sobre a Esplanada das Mesquitas.
Barak também frisou que seu governo não aceitará jamais um acordo, custe o que custar, que reconheça de qualquer forma o direto do regresso dos refugiados palestinos.
A Autoridade Palestina exige que Israel reconheça o prejuízo causado aos refugiados de 1948, que já são 3,7 milhões, e seu direito de regresso, previstos na resolução 194 da Assembléia Geral da ONU. Segundo o plano Clinton, os palestinos renunciariam essencialmente a esse direito, em troca de partes de Jerusalém Oriental, 90% da Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro frisou a importância de se chegar a um acordo com os palestinos, destacando que em caso contrário os acordos de paz com a Jordânia e Egito estarão em risco. Haverá um perigo na região, e, o que é mais grave, Israel estará isolado.
Por outro lado, Nabil Abu Rudeina, conselheiro do líder palestino Yasser Arafat, reafirmou ontem que os palestinos não assinarão um acordo com Israel se nele não tiver sido prevista a soberania palestina para a Esplanada das Mesquitas.





