Israel não aceita decisão da ONU
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Charly Wegman<br>France Presse 
Jerusalém Israel rejeitou a resolução da Assembléia-Geral das Nações Unidas, que pede a interrupção da construção do polêmico muro de segurança na Cisjordânia. Ao contrário, Jerusalém anunciou ontem sua intenção de continuar a edificação.
''A construção do muro de segurança vai continuar'', afirmou o ministro do Comércio e Indústria Ehud Olmert, número dois do governo israelense, destacando que ''não levaremos em conta a maioria da ONU, que é sistematicamente contrária aos interesses de Israel. O mundo inteiro está contra nós e contra os Estados Unidos. ''Orgulho-me de estar ao lado dos americanos. De qualquer forma, a resolução da ONU não é obrigatória'', finalizou.
O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei, que chegou terça-feira ao Cairo, comemorou a decisão da Assembléia-Geral. ''Foi um passo importante, que deve continuar com uma intervenção da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre o muro de segurança '', declarou. Qorei se encontrou no Cairo com o emissário americano para o Oriente Médio, William Burns.
Mortes Enquanto isto, soldados israelenses mataram três palestinos ontem. Um palestino atirou contra militares israelenses no bairro judeu de Tel Rumeida, em Hebron, antes de ser assassinado pelos colonos armados encarregados da segurança neste setor. Dois deles, assim como dois palestinos que se encontravam perto do local, foram feridos.
Também em Hebron, soldados israelenses mataram um membro armado das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa que tentava fugir. Um integrante do Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) morreu em circunstâncias semelhantes em Kalkiliya, segundo o exército.
Um palestino atingido há seis meses por militares israelenses morreu ontem em consequência de seus ferimentos.
Desde o início da Intifada, em setembro de 2000, morreram 3.569 pessoas, sendo 2.657 palestinos e 846 israelenses.
Na Faixa de Gaza, dois palestinos ficaram gravemente feridos por disparos israelenses.
O Exército do Estado hebreu prendeu um membro da Jihad Islâmica, depois de cercar um grupo de ativistas deste movimento radical perto de Jenin (Cisjordânia), assim como 18 outros palestinos em várias zonas do território.
Ainda em Hebron, tropas israelenses dinamitaram a casa de um palestino acusado de ter planejado há um ano um atentado suicida mortal em Jerusalém.
Enquanto isto, os palestinos denunciaram a visita do ministro israelense da Segurança Interna, Tzahi Hanegbi, à Esplanada das Mesquitas de Jerusalém. ''Essa visita é provocadora e injustificada, da mesma forma que a do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon há três anos'', queixou-se Adnan Al Husseini, o diretor do WAQF, o escritório de bens muçulmanos.
Reação palestina Mesmo com a certeza segundo a opinião de analistas internacionais de que Israel vai ''atropelar'' a ONU e suas resoluções mais uma vez, a Autoridade Palestina expressou sua satisfação ontem pela resolução da Assembléia das Nações Unidas, que ''exige'' dos israelenses a suspensão da construção do polêmico ''muro de segurança'' na Cisjordânia. Os palestinos consideram a resolução ''uma grande vitória para a paz''.


