Israel mata o líder supremo do Hamas
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segunda-feira, 22 de março de 2004
France Presse 
Gaza - O exército israelense assassinou ontem o chefe supremo do Hamas, xeque Ahmed Yassin, em um ataque seletivo aéreo em Gaza, infligindo um duro golpe ao movimento islamita palestino e provocando ameaças de vingança e uma onda de protestos nos territórios palestinos. O assassinato do xeque Yassin, cujo grupo reivindicou a autoria da maioria dos atentados antiisraelenses dos últimos anos, recebeu muitas condenações em todo o mundo, enquanto os Estados Unidos garantiram que Israel não havia informado de maneira antecipada o planejamento da operação.
Quase 200.000 palestinos deram adeus ao xeque Yassin, clamando por vingança, nos funerais celebrados em Gaza, onde o fundador do Hamas era muito popular. O xeque Ahmed Yassin, de 67 anos, paraplégico, morreu durante um ataque de helicópteros pouco depois das 5 horas locais (0 hora de Brasília) quando saía de cadeira de rodas, empurrada por dois seguranças, de uma mesquita do bairro de Sabra, em Gaza.
Um helicóptero israelense disparou três foguetes contra ele e seus guarda-costas. O ataque provocou outras sete mortes e deixou mais 15 feridos, incluindo dois dos três filhos do líder fundamentalista. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, que segundo a rádio pública do país supervisionou a operação pessoalmente, parabenizou as forças de segurança e justificou o assassinato com a alegação de que o xeque Yassin era o primeiro dos assassinos e terroristas palestinos.
''A guerra contra o terrorismo não terminou. Prosseguirá diariamente em todas as partes'', afirmou aos deputados de seu partido, o Likud, dando a entender que Israel dava sequência às operações contra os demais membros da direção do Hamas. O exército israelense, que anunciou uma ''operação seletiva'', bloqueou imediatamente a Cisjordânia e a Faixa de Gaza por medo de atentados. No final da tarde, o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, estava analisando a situação de segurança com os comandantes militares.
As Brigadas Ezzedin Al-Qassam, braço armado do Hamas, prometeram em um comunicado um ''terremoto'' como represália. ''Quem tomou a decisão de assassinar o xeque Ahmad Yassin, decidiu de fato matar centenas de sionistas'', afirmou a organização no comunicado, que inclui uma ameaça velada aos EUA.
''Os sionistas não cometeram este ato sem obter sinal verde da Administração norte-americana terrorista e esta deve assumir a responsabilidade por este crime'', defendem. O comunicado afirma que a retaliação ao assassinato do xeque Yassin vai ultrapassar os limites dos territórios palestinos e de Israel. ''Todos os muçulmanos do mundo islâmico se honrarão de participar na resposta a este crime'', acrescenta a nota.
As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, grupo vinculado ao Fatah do líder palestino Yasser Arafat, prometeram que milhares de israelenses pagarão pelo assassinato. Avançando lentamente pelas ruas de Gaza em meio a multidão, ativistas do braço militar do Hamas, encapuzados e armados com fuzis, levaram o restos mortais de seu guia espiritual do hospital Al Shifa para o ''cemitério dos mártires''.


