Israel mata 9 palestinos em incursão
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2004
Sakher Abou El OunFrance Presse 
Gaza O exército israelense matou nove palestinos, entre os quais quatro homens armados do movimento radical Jihad Islâmica e um garoto de ll anos, ontem em Gaza, enquanto o primeiro-ministro palestino Ahmed Qorei examinava em Ramallah com dois emissários americanos a forma de dar um novo impulso ao processo de paz.
Os palestinos foram mortos por disparos israelenses no bairro Al Zeitun, no sul da cidade de Gaza, onde tanques, veículos blindados e máquinas planadoras realizavam uma incursão. Outros dez palestinos, incluindo um motorista de ambulância, foram feridos, segundo fontes médicas.
De acordo com testemunhas, os confrontos começaram entre palestinos armados e soldados israelenses quando as máquinas planadoras do exército passaram a destruir os campos agrícolas no bairro.
Entre os mortos, há quatro militantes armados da Jihad Islâmica, que prometeu vingá-los em um comunicado.
O chefe do serviço de emergência do hospital Al Chifa de Gaza, Bakr Abu Saffiyeh, informou que cinco das vítimas foram mortas ''à queima-roupa'', com um único tiro na cabeça ou na nuca, indicando que na verdade tinham sido executadas. O exército israelense não desmentiu.
De acordo com testemunhas, seus cadáveres foram encontrados em uma fábrica de mármore e numa garagem no bairro Al Zeitun.
Um porta-voz militar israelense disse que as tropas participaram em uma operação de busca das células dos militantes palestinos responsáveis pelos ataques contra a colônia vizinha de Netzarim.
Qorei protesta Qorei protestou contra esta incursão mortífera, da qual foi informado quando se reunia pela primeira vez com o emissário americano John Wolf, encarregado de supervisionar a aplicação de um plano de paz internacional.
''O que aconteceu em Gaza foi um dos crimes que Israel comete diariamente. Nós falamos a respeito com os norte-americanos e lhes dissemos que a agressão contra nosso povo tem de terminar'', declarou à imprensa em Ramallah, Cisjordânia.
''Tivemos conversações úteis e profundas. O fato de os Estados Unidos retomarem seu papel importante tentando levar as duas partes à razão nos inspira otimismo'', acrescentou o primeiro-ministro palestino.
Wolf, acompanhado de David Satterfield, alto funcionário do Departamento de Estado, se entrevistou com Qorei em seu escritório de Ramallah, na presença do ministro palestino encarregado das negociações de paz, Saeb Erakat, e do ministro de Relações Exteriores, Nabil Shaath.
''Nós responsabilizamos o Governo israelense por este novo massacre destinado a sabotar os esforços internacionais e árabes, principalmente egípcios'', realizados para reativar o processo de paz, disse à AFP Nabil Abu Rudeina, assessor do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.


