Israel continuou, ontem, defendendo sua política de ‘‘eliminação’’, um dia depois dos funerais dos oito palestinos mortos num ataque israelense a Nablus, que gerou uma série de críticas internacionais ao primeiro-ministro Ariel Sharon, principalmente dos Estados Unidos. O ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, manifestou sua indignação ontem com a utilização da palavra ‘‘extermínio’’ de palestinos, empregada pelos meios de comunicação israelenses. ‘‘Oponho-me à utilização estúpida e sem fundamento do termo extermínio em relação às operações de interceptação de camicases que realizamos. Nós não somos um Estado mafioso’’, declarou Peres à rádio pública.
‘‘Nós somos o único Estado no mundo que deve enfrentar camicases que não podem ser presos por policiais ou soldados, homens dispostos a morrer. Portanto, devemos interceptá-los antes que realizem ações no território israelense’’, afirmou.
Peres reagiu às críticas contra a política de eliminação física de militantes acusados de ‘‘terrorismo’’, que já custou a vida de 50 palestinos desde novembro.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, classificou ontem estas operações como ‘‘demasiado agressivas’’.
Na terça-feira, o Departamento de Estado avaliou o ataque como ‘‘uma provocação’’. Apesar das críticas, o gabinete israelense afirmou que mantém a estratégia, ressaltando que Israel deve ‘‘exercer seu direito fundamental à legítima defesa’’.
A operação de Nablus desencadeou uma onda de represálias palestinas contra supostos colaboradores do Estado hebreu, acusados de facilitar ataques israelenses.
Um palestino considerado culpado de ‘‘colaboração’’ com Israel foi condenado à morte na quinta-feira pela Corte de Segurança do Estado em Nablus, Cisjordânia, afirmaram fontes palestinas. Três palestinos foram condenados à morte na terça-feira pelos mesmos tribunal e acusação. Os fuzilamentos devem ser autorizados pelo presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Dois palestinos condenados por ‘‘colaboração com Israel’’ foram executados no dia 13 de janeiro em Nablus e Gaza, o que desencadeou críticas internacionais. Desde este dia, outros palestinos foram condenados à morte por colaboração, mas as sentenças ainda não foram aplicadas.

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