Israel libera fundos aos palestinos e veta assentamento
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domingo, 14 de setembro de 1997
Das agências Jerusalém 
France PressSem sançõesNetanyahu caminha pelos corredores de seu gabinete em JerusalémO premier israelense Benjamin Netanyahu decidiu desbloquear a metade das receitas fiscais devidas à Autoridade Palestina, disse ontem um porta-voz oficial. O mesmo porta-voz anunciou o veto de Netanyahu ao início das obras de um conjunto habitacional para judeus num bairro árabe de Jerusalém oriental.
As declarações do governo de Israel foram feitas no sentido de amenizar as relações com a Autoridade Palestina (AP). Nós estamos recebendo informações que dão conta de passos positivos tomados pela liderança palestina, disse o chefe de Comunicação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, David Bar-Illan. Esperamos, claro, que sejam sérios, e não apenas um show.
Estes fundos, que Israel recebe sob forma de impostos e taxas sobre as exportações para Cisjordânia e a Faixa de Gaza, foram congelados a 30 de julho após o duplo atentado suicida que, em Jerusalém, causou 17 mortos, entre eles dois kamikazes. Segundo o Banco Mundial, estes fundos superavam os US$ 100 milhões e representavam 60% das receitas fiscais da Autoridade Palestina.
Segundo oficiais da OLP, a iniciativa é o resultado da promessa feita por Netanyahu à Secretária de Estado americana, Madeleine Albright, de aliviar as restrições impostas aos moradores da Cisjordânia e devolver o dinheiro à Autoridade Palestina.
Bar-Illan confirmou que Israel prometeu a Albright levantar as sanções com a condição de que houvesse uma séria intenção da Autoridade Palestina de lutar contra o terrorrismo. Ouvimos que Yasser Arafat (presidente da AP) está prendendo militantes terroristas e elaborando planos para minar sua infra-estrutura.
Mesmo assim, as forças de segurança de Israel permaneceram em alerta máximo por temor de que militantes muçulmanos realizassem um ataque assim que terminassem as conversações de Albright com israelenses e palestinos, na sexta-feira.
Assentamento Benjamin Netanyahu vetou ontem o início das obras de um conjunto habitacional para judeus num bairro árabe de Jerusalém oriental.
Este projeto, financiado por Irving Moscovitz, provedor de fundos norte-americano para a extrema-direita religiosa israelense, consiste na construção de um assentamento com 70 casas para judeus no bairro de Ras Al amud, aos pés do Monte das Oliveiras, na Jerusalém oriental anexada.
No mês de março passado, o início das obras também em Jerusalém oriental da colônia Har Homa na colina Jebel Abu Ghneim, com 6.500 casas projetadas, provocou a cólera dos palestinos e a reprovação da comunidade internacional. Desde então, as negociações de paz israelense-palestinas estavam suspensas.


