Israel lança campanha para sair do Líbano
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Luc de Barochez France Presse 
Israel reiterou ontem ante o Líbano um pedido de garantia para obter segurança, em troca de uma retirada militar da região que ocupa no sul do país; e se prepara para lançar uma campanha diplomática na Europa a favor desta proposta. O exército libanês deve dobrar-se no sul do Líbano, controlar esta zona, e impedir as operações do Hezbolá, afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Quando tivermos segurança de que o Hezbolá não representará mais uma ameaça para o norte do país, estaremos dispostos a sair do Líbano, declarou numa entrevista concedida à rede pública de televisão.
O primeiro-ministro Netanyahu, e o ministro da Defesa, Yitzhak Mordekhai, viajarão separadamente à Europa na quinta-feira para defender esta proposta, informaram funcionários israelenses. Dois emissários de Netanyahu viajaram domingo a Paris para pedir às autoridades francesas que transmitam sua posição ao governo libanês, segundo a imprensa israelense. As tropas de Israel estão no Líbano desde uma primeira invasão, há 20 anos, e ocupam atualmente uma zona de 850 km2 no sul do país, segundo o Estado hebreu para impedir os ataques contra sua fronteira norte.
Mas as perdas sofridas pelas tropas israelenses nos choques com a resistência libanesa - 39 mortos em 1997, quatro desde que começou o ano - tornaram a população israelense cada vez mais favorável à retirada. A questão libanesa permite a Netanyahu desviar a atenção do problema palestino, bloqueado há um ano.
No entanto, a primeira reação das autoridades libanesas, que exigem uma retirada incondicional dos israelenses, foi particularmente fria. O Líbano não está disposto a iniciar negociações com Israel, declarou ontem o ministro das Relações Exteriores, Fares Boueiz. Segundo o chanceler, não há nada de novo nas propostas israelenses.
A aplicação da resolução 425 adotada em 1978 pelo Conselho de Segurança, que ordena às forças israelenses retirar-se do Líbano, não exige acordos de segurança entre Líbano e Israel, mas acordos entre Israel e a ONU, e entre o Líbano e a ONU, explicou Bueiz ao jornal Al Hayat.


