Israel lança aviação contra palestinos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de setembro de 2003
Sajer Abou El Oun<br>France Presse 
Gaza O exército israelense utilizou ontem a aviação contra um dirigente do grupo radical palestino Hamas em Gaza, ferindo-o e matando outros três palestinos, entre os quais o filho mais velho do líder do grupo radical islamita, um dia depois dos dois ataques suicidas que causaram o total de 17 mortos, incluindo os dois camicases. A direção palestina condenou os dois atentados, ocorridos com cinco horas de intervalo, na terça-feira perto de Tel Aviv e em Jerusalém.
Em função da situação, o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon decidiu encurtar em 24 horas sua visita à Índia e deixou Nova Délhi ontem mesmo.
Os dois ataques ainda não foram reivindicados, mas o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedin Al Qasam, parabenizou os atentados e declarou que ''chegou o momento (de Israel) pagar por seus crimes contra o povo palestino'', em um comunicado difundido pelo canal de televisão Al-Jazeera, do Catar.
Israel lançou um ataque aéreo contra a casa de dois andares de Mahmud al-Zahar, que foi ferido, enquanto seu filho primogênito e um de seus guarda-costas morreram, segundo fontes da segurança palestina. Outro palestino morreu e mais 15 pessoas foram feridas. O ataque israelense com um caça-bombardeiro teve como objetivo a casa de al-Zahar no bairro Al Rimal, no centro de Gaza, segundo testemunhas. O líder do Hamas foi internado no hospital Al Shifa, de Gaza, segundo um porta-voz deste centro médico, que não detalhou a gravidade dos ferimentos sofridos por al-Zahar.
Os dirigentes israelenses imputaram imediatamente as duas ações ao Hamas, que havia ameaçado vingar a tentativa de assassinato de Ahmed Yassin, fundador do movimento, em um ataque aéreo no último sábado em Gaza.
Ahmed Qorei, encarregado pelo presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, de formar um novo governo após a demissão de Mahmud Abbas do cargo de primeiro-ministro declarou ontem que os dirigentes israelenses deveriam reiniciar as conversações com os palestinos se querem mesmo acabar com a violência.
''Matar palestinos e entrar em uma escalada de violência não ajudará Israel a conseguir a segurança'', disse Qorei à AFP.
Israel suspendeu todos os seus contatos oficiais com a Autoridade Palestina depois de um ataque suicida contra um ônibus em Jerusalém no dia 19 de agosto, que causou 22 mortos.
Em Jenin O palestino Ahmed Douhaine, de 17 anos, morreu e seu colega Amar Rachid, de 15, ficou ferido na noite de ontem por disparos de soldados israelenses perto de Jenin, no norte da Cisjordânia, informaram fontes da segurança palestinas. Os soldados abriram fogo quando os jovens estavam perto da ''linha de segurança'' que separa, neste setor, o território israelense da Cisjordânia.
Em Nablus Dois palestinos morreram e outro ficou gravemente ferido ontem por tiros disparados por soldados israelenses no campo de refugiados de Balata, em Nablus, norte da Cisjordânia, informaram fontes médicas palestinas.


