JerusalémIsrael decidiu simplesmente ignorar a resolução aprovada ontem pelo Conselho de Segurança da ONU, manifestando sua determinação de continuar o cerco ao quartel general do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, em Ramalah. ''A ONU pode pedir o que quiser. Problema dela. Israel continuará sua operação até que seus objetivos sejam alcançados'', declarou à AFP um alto funcionário do Governo israelense, que pediu para manter o anonimato.
''Ou Arafat sai de seu quartel general, ou os terroristas ali refugiados se entregam. Enquanto isso, continuará isolado'', assinalou.
O funcionário também estimou que era previsível o fato de os Estados Unidos não terem vetado a resolução, considerando que Washington necessita do maior apoio possível da ONU contra o Iraque. Na verdade, os Estados Unidos não vetaram, mas também não votaram.
E mesmo assim, o representante de Israel na ONU, Yehuda Lancry, se declarou ''decepcionado'' com a atitude dos Estados Unidos, numa entrevista à rádio estatal israelense.
Lancry denunciou a ausência na resolução de ''toda referência específica às ações terroristas'' perpetradas por grupos palestinos, que, segundo ele, justificam a ação de Israel de cercar o quartel general de Arafat.
Também descartou qualquer possibilidade do envio de uma força internacional pela ONU para obrigar Israel a retirar suas tropas das zonas autônomas palestinas reocupadas. ''Nem pensar, aqui força estranha não entra'', disse.
Por sua parte, Nabil Abu Rudeina, um dos conselheiros de Arafat, disse que a resolução ''está na boa direção, mas é importante insistir para que Israel a aplique e se retire imediatamente'' do quartel general do presidente da Autoridade Palestina''.
Os Estados Unidos desta vez ''lavaram as mãos'', ou seja, se abstiveram de votar a resolução 1.435 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada por 14 dos 15 membros do Conselho.
A resolução 1.435 pede a Israel que ''suspenda imediatamente as medidas adotadas na cidade e nos arredores de Ramalah, em particular a destruição da infra-estrutura civil e de segurança palestina''.
O texto dá conta também do ''total apoio'' do Conselho de Segurança aos esforços do Quarteto (ONU, EUA, Rússia e União Européia) sobre o Oriente Médio.
Apelo do PapaO Papa João Paulo II apelou ontem ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, para ''suspender'' os ataques contra o quartel general da Autoridade Palestina em Ramalah, informou o Vaticano.
Na carta, o Papa assinalou que essas ações ''comprometem as frágeis esperanças de paz para essa região'' e deseja que ''se reinicie rapidamente o diálogo entre as partes envolvidas, no respeito recíproco e na compreensão mútua''.
Mortes em GazaNove palestinos morreram na madrugada de ontem durante a incursão do Exército israelense no bairro de Choujaya, na cidade autônoma palestina de Gaza, revelou uma fonte médica palestina. Inicialmente, três palestinos foram mortos quando os tanques e helicópteros de assalto israelenses abriram fogo com metralhadoras. Outros seis palestinos morreram por disparos de soldados israelenses quando andavam pelas ruas do bairro.
Pelo menos outros 20 palestinos foram feridos durante o ataque, indicaram fontes médicas.

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