São Paulo - Soldados de Israel desocuparam ontem o Netzarim último assentamento judaico instalado na faixa de Gaza , pondo fim a 38 anos de ocupação desse território palestino. Hoje os soldados enfrentarão resistência pesada na Cisjordânia, onde restam dois assentamentos para serem desocupados.
Moradores de Netzarim foram à sinagoga ontem acompanhar um ato religioso o último a ocorrer antes da saída. Depois começaram a deixar o local acompanhados de soldados. Mas enquanto soldados retiraram pacificamente os colonos de Netzarim, forças de segurança já começavam a se concentrar na Cisjordânia.
Militares se prepararam para a retirada dos colonos dos dois últimos assentamentos a serem desocupados no local Sanur e Homesh, e a expectativa é de que ultranacionalistas entrem em violentos confrontos. As outras duas colônias da região que deveriam ser desocupadas de acordo com o plano de retirada do primeiro-ministro Ariel Sharon, Ganim e Kadim, foram deixadas voluntariamente por seus moradores.
Durante o serviço religioso ocorrido ontem em Netzarim, os colonos rezaram junto aos soldados que estavam lá para ajudar sua saída da região e, se necessário, remover à força aqueles que se recusassem a deixar o local. No final da cerimônia religiosa, os cerca de 500 colonos embarcaram nos ônibus e foram embora, com destino a Israel.
Soldados israelenses informaram ontem que um grupo de jovens ultranacionalistas chegou a entrar em Netzarim, mas militares e líderes locais fizeram um acordo para manter a paz na região. Na madrugada de ontem, colonos chamaram a polícia e denunciaram a presença de três ativistas na região. Os ultranacionalistas chegaram a grafitar nas paredes das colônias frases como ''(Ariel) Sharon, Hitler está orgulhoso de você''.
A saída dos colonos de Netzarim foi bem diferente do que ocorreu na semana passada, nas colônias de Neve Dekalim e Kfar Darom, onde colonos se entrincheiraram nas sinagogas dos locais e chegaram até mesmo a jogar uma
substância ácida sobre os soldados que tentavam retirá-los.
Netzarim sempre foi considerada um símbolo de insegurança tanto por autoridades israelenses quanto palestinas, informou o jornal israelense ''Haaretz'' ontem. Isolada e difícil de ser defendida, houve vários ataques de extremistas palestinos na colônia.
No primeiro mês da Segunda Intifada (revolta popular palestina contra a ocupação israelense, iniciada em 2000) Netzarim foi palco de um conflito entre israelenses e palestinos que culminou com a morte de um garoto palestino de 12 anos.
Ontem, o Exército e a polícia completaram a retirada dos colonos de Slav, Katif, Dugit, Neve Dekalim, Bnei Atzmon, Elei Sinai e Nissanit, concluindo também a remoção de todos os moradores do bloco de Gush Katif. As forças de segurança não encontraram grande resistência por parte dos colonos.
Moradores de Katif, junto aos soldados que foram deslocados para removê-los do local, participaram de uma cerimônia religiosa no domingo passado a última realizada na sinagoga do local. Em Bnei Atzmon, moradores também organizaram uma última cerimônia. Mais de 200 escavadeiras estão no bloco de Gush Katif, e operadores aguardam ordens de demolição.

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