Israel faz nova ofensiva contra o Líbano
Associated Press e Deutsche Presse
Aviões israelenses voltaram a bombardear estações elétricas e pontes do Líbano nas primeiras horas desta sexta-feira. O novo ataque matou pelo menos sete civis e deixou a capital Beirute às escuras. O mais violento choque entre os dois países em três anos também matou dois israelenses e feriu outros 18 no norte do país, devido à explosão de foguetes lançados pelo grupo guerrilheiro Hezbollah. Desde que o exército israelense começou os bombardeios anteontem à noite, cerca de 57 pessoas ficaram feridas no Líbano.
Os jatos e helicópteros de Israel atingiram duas subestações elétricas nos arredores da capital Beirute, alvos guerrilheiros à leste da cidade de Baalbek e pontes localizadas na principal rodovia costeira do Líbano. As forças israelenses atingiram a subestação de Bsalim, o que deixou mais distritos de Beirute sem luz.
A ofensiva de ontem atingiu três pontes na rodovia costeira que liga Beirute a Sidon (40 quilômetros ao sul). Duas pessoas morreram e outras oito ficaram feridas em Damour - cidade localizada à margem da rodovia. Os aviões destruíram a ponte sobre o rio Awali - próximo a Sidon -, ferindo dois soldados e cinco civis.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu emitiu um alerta após uma reunião com o Gabinete de Segurança ontem. Se não houver paz na fronteira, não haverá paz no Líbano, afirmou à uma emissora de rádio. Netanyahu ordenou os ataques aéreos sem consultar o primeiro-ministro eleito do Líbano, Ehud Barak.
O governo libanês apresentará uma queixa ante a Corte Internacional de Justiça de Haia, exigindo que Israel pague uma indenização pelos danos causados pelo bombardeio da noite de anteontem. Em uma sessão de gabinete liderada pelo presidente Emile Lahoud, ficou decidida a criação de uma comissão ministerial que determinará o montante da indenização. O governo do Líbano informou que não pedirá ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que dite uma nova resolução sobre o conflito entre esse país e Israel já que continua em vigor a resolução 425, de 1978, que exige a imediata retirada israelense do sul do território libanês.
O primeiro-ministro libanês, Salim Hoss, disse que pedirá a convocação do Grupo Internacional de Vigilância do cessar-fogo, formado depois dos graves incidentes de 1996, e integrado por representantes de Israel, Líbano, Síria, França e Estados Unidos. A França, que preside o grupo, anunciou hoje uma reunião de emergência.
A Síria condenou os ataques aéreos israelenses contra o Líbano classificando-os de uma brutal agressão que agrava a situação do Oriente Médio. O bombardeio israelense contra objetivos civis no Líbano demonstra não só a irresponsabilidade dos que detêm o poder em Tel Aviv como revela o espírito agressivo e a hostilidade em relação à paz que caracterizaram os três anos do governo de Netanyahu, afirma um editorial divulgado pela Rádio Damasco.
O primeiro-ministro eleito, Ehud Barak, que havia prometido durante a campanha eleitoral que reavivaria o processo de paz no Oriente Médio, conversou na manhã de ontem sobre a situação com seus possíveis companheiros de coalizão. Eles concluíram que o novo governo deve ser formado rapidamente para evitar uma escalada do conflito com o Líbano.O premier israelense Benjamin Netanyahu - em fim de mandato - disse que se ataques no norte de Israel não cessarem não haverá paz no Líbano
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