O tempo em que os israelenses vestiam máscaras de gás e os palestinos celebravam dançando nos telhados de suas casas, enquanto 39 mísseis iraquianos caíam com um rastro de fogo sobre Tel-Aviv, preocupa de novo Israel, mas com uma diferença fundamental: o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está prometendo que agora reagirá de uma forma ‘‘muito, perigosa para o Iraque’’.
O governo israelense, reunido ontem já para se prevenir contra um possível novo ataque de Scuds, não revelou o que fará de tão ameaçador. O ministro da Defesa, Yitzhak Mordechai, recomendou uma revisão das máscaras de gás à população, tranquilizando-a para que não entre em pânico: ‘‘Estamos seguindo o que acontece no Golfo e em outras partes, ininterruptamente, esperando não ser necessária a adoção de medidas. Se houver necessidade, faremos o que for necessário, e a tempo’’.
O alarme político em Israel soou com a informação de que o Iraque ainda teria armas biológicas suficientes para ‘‘arrasar Tel-Aviv’’, passada a editores do jornal ‘The New York Times’’, durante um almoço, pelo chefe dos inspetores de armamentos da ONU em Bagdá, Richard Butler. A revelação destronou da manchete dos jornais israelenses, os escândalo Clinton-Monica Lewinsky.
‘‘O Iraque pode armar 25 mísseis com ogivas biológicas’’, revelou o jornal ‘‘Haaretz’’, baseando-se em anônimas ‘‘fontes ocidentais’’, geralmente o serviço secreto de Israel. ‘‘O Iraque pode destruir Tel-Aviv’’, publicou o ‘‘Jerusalem Post’’. Os israelenses foram despertados da paralisia do processo de paz para a iminência de uma nova guerra, com as lembranças dos ‘‘quartos selados’’, das sirenes antecipando a chuva de Scuds e das máscaras de gás.
A primeira advertência israelense ao Iraque foi feita ontem pelo principal porta-voz do governo, David Bar-Ilan: ‘‘O Iraque tem que saber que não será compensador atacar Israel’’. Então, acrescentou: ‘‘Israel dispõe de todos os meios necessários para tornar um ataque muito, perigoso para o Iraque - muito mais para o Iraque do que para Israel’’. A Força Aérea israelense já está operando os primeiros F-15i recebidos dos Estados Unidos há dez dias, capazes de alcançar Bagdá e voltar sem problemas de abastecimento. Mas cada avião, ao preço de US$ 84 milhões, equivale a 170 Scuds, como calculou Yoel Marcus.
A retaliação israelense não foi antecipada por Bar-Ilan. Quando saiu da reunião com alguns ministros que formam um ‘‘conselho de segurança’’, Netanyahu só aumentou o suspense: ‘‘Estamos alerta para os acontecimentos no Golfo e prontos para qualquer eventualidade, segundo as necessidades’’. Há sete anos, os Estados Unidos pediram que Israel recebesse os golpes de Scud sem reagir. Eram provocação do presidente Saddam Hussein. Entrando Israel na guerra, a coligação árabe formada contra o Iraque tenderia a se dissolver.
A situação é considerada diferente hoje, quando vários países árabes estão contra punições militares e econômicas ao Iraque na medida em que Israel continua ‘‘prejudicando os interesses americanos no Oriente Médio sem sofrer sanções’’. A paralisia no processo de paz com os palestinos surge como um exemplo, além de resoluções da ONU não cumpridas.

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