Jerusalém Uma reunião, ontem, com o Estado-Maior de Israel estudaria uma eventual resposta ao atentado de sexta-feira contra uma discoteca de Tel Aviv, que deixou quatro mortos, incluindo o autor, e prejudicou consideravelmente o novo governo palestino. ''A resposta será pontual e dirá respeito aos elementos diretamente envolvidos na execução do atentado'', disse um alto funcionário de Defesa citado pela rádio militar. O atentado foi o primeiro desde a cúpula de 8 de fevereiro em Sharm el-Sheikh (Egito), na qual o primeiro-israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, decretaram um cessar-fogo, pode provocar o reinício do ciclo de violência e represálias.
Nenhum grupo palestino reivindicou formalmente a autoria do atentado. O porta-voz do governo do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse que seu país não descarta a possibilidade de envolvimento do Hezbollah xiita libanês.
O presidente da Autoridade Palestina acusou um ''terceiro elemento'', do qual não disse o nome, de ter organizado o atentado suicida de Tel Aviv para sabotar o processo de paz. ''Há um terceiro elemento que deseja sabotar e destruir o processo de paz. Estamos determinados a levá-los à justiça para que sejam punidos'', declarou Abbas à imprensa.
O exército israelense prendeu na manhã de ontem os dois irmãos do suicida autor do atentado, Abdalah Badran, de 22 anos, perto de Tulkarem, na Cisjordânia. Segundo fontes de segurança, Badran era membro da Jihad Islâmica, mas o grupo nega qualquer relação com o atentado, que também feriu 53 pessoas. ''Uma coisa é certa: a Autoridade Palestina deve fazer mais para evitar um descarrilamento do processo de paz. Esperamos ações concretas: que encontre os responsáveis pelo atentado e que os castigue'', disse a mesma fonte.
O ministro israelense das Infra-Estruturas, Binyamin Ben Eliezer, declarou que seu país tem que ''analisar cuidadosamente suas decisões''. ''A maioria dos palestinos quer a calma, mas entre eles existem elementos muito extremistas que não o permitirão, e é contra estes que devemos atuar'', acrescentou.
A Autoridade Palestina condenou o atentado e Abbas ''deu instruções firmes para a prisão dos responsáveis e a adoção das medidas necessárias para impedir tais atos'', em uma reunião de segurança extraordinária em Ramallah, informou um participante.
Pouco antes da meia-noite de sexta-feira (19 horas de Brasília), Abdalah Badran detonou a bomba que transportava, depois de ter entrado na fila dos jovens que esperavam para entrar na discoteca The Stage, diante do mar em Tel Aviv. A fachada da discoteca desabou por causa da explosão.
Um interlocutor anônimo que disse falar em nome das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, ligadas ao Fatah de Abbas, reivindicou o atentado em uma ligação à AFP, mas o principal líder do grupo, Zakaria Al-Zubeidi, desmentiu a reivindicação. ''Todas as células respeitam totalmente a calma, objeto de um consenso nacional'', afirma a nota. As Brigadas, o movimento radical Hamas, que também negou ter relação com o atentado, e a Jihad Islâmica concordaram no início do mês em suspender todos os ataques antiisraelenses.

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